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Outro dia uma amiga minha me contou que ela tinha feito um elogio para o seu então namorado, dizendo que ele era um excelente amante. Pois bem, por outros motivos, suponho eu, eles se separaram e ela pediu para que ele tirasse a frase da capa da sua página, mas ele se fazia de surdo , como se ainda quisesse que ela voltasse , ou outra picuinha qualquer.
Ou talvez fosse só massagem do ego, pensei.
Que nem a Comissão de Constituição e Justiça do Senado. É a comissão mais importante, pois define se uma MP ,por exemplo, deve seguir ou não, ou ainda um projeto de lei, se é constitucional ou não. Mas também é onde se vota moções de elogio ,ou de repúdio. E para cada homenageado ( ou xingado) é preciso haver um senador relator, com a instituição de uma sub-comissão com mais três senadores.
Para se ter uma ideia do atraso na hora do elogio, há mais de duzentas moções de aplauso, para a ministra que não é mais, para o prefeito que não é mais, para o governador que já saiu .
Talvez tenha repúdio ao presidente Collor ou elogios ao senador Collor.
Seria algo como elogiar o ex na cama, ou talvez, se demorar muito,o retorno dos dois amantes...
Severo da Antióquia, um patriarca sírio do século seis, criticava a existência do Espírito Santo. E mais, achava que a sua representação como uma pomba era mais absurda ainda. Assim, logo no primeiro ato de seu mandato, tirou todas as pombas de ouro e prata das igrejas e levou-as para sua própria casa.
Dionísio, o tirano de Siracusa, fez também algo parecido. As estátuas de Júpiter o representavam com mantos de ouro. Ele extraiu o ouro deles , com o argumento que o metal não servia para nada. Afinal, ele esquentava Júpiter no verão e não aquecia o deus no inverno. E guardou o metal com ele.
Agora, no Brasil, os parlamentares querem pegar as verbas regulatórias ( as que eles pegam e gastam sei lá no quê ) e inclui-las nos seus prórpios salários .
Um vestibulando da prova do Rio Branco escreveu numa redação a palavra samba com maiúsculo. Prá que... Tiraram três pontos da sua nota e ele tomou pau. Mas o bicho foi teimoso e conseguiu uma liminar. Quer grafar samba como se fosse Samba e foi admitido. Mas o Itamarati conseguiu cassar a liminar ( quase que escrevo com ç) e o rapaz foi defenestrado.
Mas ele, como o Samba, não desiste. Arrumou vários filólogos , inclusive o professor Evanildo Bechara, o papa da reforma do corta o hífen, que lhe dá razão.
Lembro-me do samba que o João canta , vamos acabar com o samba, Madame não gosta que ninguém sambe.
Agora, se este é o critério , acho que o pessoal avaliador é ruim da cabeça.
E claro, doente do pé.
Eu tenho um primo, o Luciano, que , quando era adolescente tinha o estranho hábito de comer sal. Muito sal. Mas sal mesmo. De cobrir um bife de branco. De comer sal puro. E todos criticavam. Um tio nosso, muito gozador, apelidou-o de Salty Boy. E disse que ele deveria ir para Salt Lake City, para fazer demonstrações sobre as suas salgadas demonstrações.
O fato é que fizeram de tudo e acabaram tirando o sal em excesso da vida do Salty Boy; ele passou uma crise de melancolia. Começou a compor umas músicas meio darks ,mas como ele era adolescente, pode ter sido coisa da idade, independente do sal.
Mas a ciência prega lá suas peças. E isso que o sal faz mal é muito relativo. Pesquisadores da Universidade de Iowa comprovaram o óbvio, que vida sem sal não tem graça. Foram reduzindo a dosagem do sal em ratinhos ( sempre com eles , mas dizem que com o homem é a mesma coisa) e chegou num ponto onde os ratinhos não queriam fazer nenhuma atividade que lhe dava prazer. Nem catar ratinhas !
O meu cardiologista me manda tomar um remédio que me dá tosse. Diz que o sal é um veneno. Só me indica comidas sem gosto.
E , ultimamente, percebo que as ratinhas andam tão pouco atraentes...
Preciso entrar em contacto, urgentemente, com o meu primo Luciano e convidá-lo paraq comermos uma picanha bem salgada !
Nos anos vinte do século passado, se alguém perguntasse quem era o maior escritor inglês , a resposta seria uma só. Hugh Walpole. E olha quem estava na lista dos que achavam Walpole genial: Henry James, Virginia Woolf e Joseph Conrad. Pois ele ainda , na década de trinta, virou Sir e continuou famoso até 1941, quando morreu.
Hoje, quem conhece esse cara ?
Vou mais longe. Acho que até o Hugh Grant é mais conhecido que o seu xará.