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Com uma virada sensacional , o Feherbace ganhou do Chelsea e joga pelo empate lá na Inglaterra. A torcida, depois do gol do Deived, cantou Aquarela do Brasil.
Rumo a Moscou, no dia 21 de maio ( final da Champions League)!

Como todo apreciador de ópera sabe, desde Wagner a cena lírica deve ser total. Por exemplo, não basta cantar, tem que ser linda . charmosa e sensual. Vejam o caso da russa Anna Netrebko, numa cena de Manon Lescaut., de Puccini. Melhor que qualquer Big Brother. E isso, sem dúvida nenhuma, é cultura.
E para manter o frisson, Anna promete cantar pelada na única ópera que exige esta ousadia. Diz que será Salomé de Strauss , a ópera baseada na peça de Oscar Wilde. Mas não é para agora. Será para quando ela se aposentar.
Ai, russinha, não faz isso com os amantes do canto lírico...

No delicioso jornal inglês Telegraph há uma longa reportagem sobre moda. É o tal negócio: ser chic é fácil ,mas o difícil é manter o estilo no dia-a-dia, no modo descontraido, no domingão , no fim de feira. E surgem dois exemplos. Victoria Beecham, que de qualquer jeito não acerta e a darling do blog Kristin Scott Thomas que não consegue errar nunca.
No fundo, no fundo, eu acho que roupa é boa quando a gente se sente à vontade. Claro, Kris é uma lady e a Vic parece sempre uma vagaba, mas um cara como eu, que calço chinelão rider, uso camiseta hering desbotada e shortinho, sou um eterno casual.
E no fundo, no fundo, a mais brega mina é melhor que o mais elegante mano, não é verdade ?

!983 foi um ano muito ruim para mim, e as únicas duas coisas que me deram suporte para eu tocar a minha vida foram dois discos: Thriller do MIchael Jackson e o último disco do Marvin Gaye, o que tem Sexual Healing.
Mas no ano seguinte, as coisas foram se ajeitando. Mudei-me para um apartamento nas Perdizes, fui me acertando, arranjei uma namorada e toquei a vida em frente. Esta namorada, às vezes, passava a noite na minha casa. Ela gostava de um bolo inglês que a padaria da esquina vendia. Era muito legal comprar o pãozinho quente, o bolo, o jornal na banca em frente.Eu não era tão ocupado como sou hoje. Dava tempo de tomar um café bem demorado com ela e só depois ir para o escritório.
Pois foi num dois de abril, deste bom ano, que o jornal mostrou uma foto do Marvin Gaye. Lembro-me que tinha conversado uma vez com o Fernando Alge, que seria muito melhor se ao invés de políticos, a primeira página dos jornais tivesse fotos de gente legal. Triste ironia. Marvin Gaye só aparecia por ter sido baleado pelo seu próprio pai, um dia antes do seu aniversário. Ele nunca completaria quarenta e cinco anos.
Naquela manhã, eu não quis tomar café com a minha namorada. Deixei-lhe um bilhete, aproveitei a proximidade do Primeiro de Abril para inventar uma mentirinha qualquer, fui sem ligar o rádio dirigindo para o trabalho.
Os anos se passaram, acabei escolhendo Marvin e a cantora Tammi Terrell para serem os meus dois anjos da guarda. Eles não me desapontaram até hoje. Se bem que Rilke já foi claro; nunca sabemos se os anjos estão entre os vivos ou os mortos.
Na versão canhestra dos Titãs, Marvin, a vida é prá valer.
Tento curar tudo com sexo. Mostro as minhas perplexidades com a pergunta, what's going on.
Mas prefiro, sempre, achar que ai de um mundo sem a música de Marvin Gaye.
Oh, mercy , mercy me. Ou como uma tradução que fiz desta canção ,Oh, tenha dó de mim.
Antigamente a gente ficava amigo, namorava, casava e transava, a ordem era essa. Mas agora parece que se dá exatamente o contrário.
Na política é a mesma coisa. Um presidente inaugurava uma obra feita. Agora, ele vai na inauguração do início da obra.
Outra coisa. A campanha eleitoral começava no último ano do mandato. Agora ela começa no primeiro ano.