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Do mesmo jeito que há desfiles de pracinhas da FEB ou de soldados constitucionalistas, há a parada dos perseguidos da ditadura. Eu não sei se os perseguidos pela ditadura Vargas obtiveram alguma indenização. Acho que não. Aliás, muitos , depois de perseguidos no período do Estado Novo, até se aliaram ao ditador.
Outros , perseguidos da ditadura militar, se abraçam com Delfim Netto.
Mas o que me faz escrever um post de madrugada, além do fato de eu ter perdido o sono é a notícia que a turma do Pasquim , a dupla Jaguar e Ziraldo, ter abiscoitado uma aposentadoria de 4 paus e meio por mês, fora um acumulado de quase seiscentos mil.
Do Jaguar, uma espécie de Keith Richards da cachaça, vou pular. Vou me fixar no Ziraldo. É dele a frase que diz que enquanto bebiam cafezinho com o Golbery , eu lutava contra a ditadura.
Bem, Glauber defendia o Golbery, que foi o pai desta abertura . Será isso ? Mas Ziraldo , bom desenhista, talentoso com o texto ( a Turma do Pererê é muito boa) é uma figura patética, digamos assim. Foi presidente da Funarte nos anos Sarney. Bem, acredito eu que o Sarney tomou muitos cafés com o Golbery... Além disso, Ziraldo era um puxa saco do Zé Aparecido , um político mineiro que foi do Jânio até o Sarney ou o FHC aliado. E o Zé Aparecido, governador do DF, ministro da Cultura ( e acho que foi embaixador em Portugal) também era um habitué no coffee break com o General Golbery...
Puxa, o Pasquim , segundo o Sérgio Augusto bem disse, só existiu porque havia a ditadura. Tanto que quando ela caiu, ele ficou sem sentido. E é bom lembrar a capa do Pasquim já na fase Lula-lá. Tinha um desenho do Ziraldo com o Zé Dirceu e o Zé Alencar, em nítido cafezinho com o poder de plantão. O Millôr sempre dizia que jornalismo é oposição; o resto é armazém de secos e molhados. Esse pessoal que ficou ,do Sérgio Cabral pai até o Ziraldo da Caratinga, rebola mais que o Ney Matogrosso para se justificar.
Já um outro jornalista, também contemplado com a indenização, argumenta que o seu irmão se matou e essa dor não tem preço. Já dizia o samba do Haroldo Barbosa, a dor da gente não sai no jornal. Ele não deveria citar um caso muito triste que aconteceu na sua família. Até porque não tem essa causa e efeito tão direto. Conheci bem o irmão dele que fez este ato . Isso se deu há uns quatro anos atrás. Ora, é muito difícil entender as causas de um suicida. Mas se ele foi preso em 1975, esperar mais de vinte e tantos anos para cometer um ato desesperado como este, é muito além de qualquer psicologia.
Quero dizer que a causa é muito séria para ter sido usada como desculpa. E isso, realmente, não tem preço.
Com todo o respeito que o assunto merece, há muito exagero nestas perseguições. E não me venham alegar que eu não sei o que é ditadura ou os seus horrores. Sei sim, eu vivi minha adolescência nela e posso garantir que ela foi uma coisa medonha.
Tão medonha que eu não consigo idolatrar o Delfim ou o Geisel.