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Desde Ana Karenina eu sei que é só colocar um a atrás do nome e pronto, a mulher fica com nome de casada. Esta é Alina Kabaeva, ginasta olímpica, modelo e deputada do partido do Putin , claro, e, muito provavelmente, a esposa nova do seu Vladimir.
Dizem que o casório sai em junho. É uma espécie de sindrome de Sarkozy.
Eu acho ótimo. Porque enquanto eles fazem amor, esquecem da Chechênia.
Dizem que o poder é afrodisíaco. Mas eu acho que eles obtém o tcham da forma mais convencional.
Ou seja, elas querem o poderoso enquanto ele está no poder.
Uma das coisas que me causa espanto é ver a pseudo-ingenuidade no seu estado mais puro.
Vejam o caso do nobre professor Weffort. Sociólogo de título e lauréis, editor ,meiaoiteiro de primeira hora, um paz e terra iluminado, era simplesmente o secretário-geral de um partido, o PT.
Mas um dia, como que desiludido do poder que nunca vinha, bandeou-se para o mais doce dos cargos tucanos. Foi um ministro do FHC.
Com direito a fotos na revista Caras. Com coquetéis e vernissages. E, dizem os dossieiros da nova nomenclatura, ressentida pelo abandono ilustre, que tinha como hábito a dourada hospedagem no Copacabana Palace. Com direito à namoradinha nova, sem que a patroa titular soubesse como é o gosto do bife .
O ex-fundador histórico do partido mais puro desde os jacobinos de Robespierre, hoje, escreve no O Globo um artigo que desanda a criticar o segredo das contas presidenciais. E larga essa pérola:" É conhecida a ojeriza do Lula a qualquer controle de gastos".
Conhecida por quem ? Eu nunca soube disso, nem vocês caros leitores. Mas um sujeito tão eu e tu como o Lula, esperar tanto tempo para ver que o homem era assim e só agora dar o chilique é algo ,no mínimo, estranho.
Ou será que o nobre professor tinha a mais pura fé num trabalhador brasileiro tão bem representada pelo ex-ídolo?

Hoje, no aniversário de Claudia Cardinale, penso no filme Vaghe stelle dell'Orse. Claudia faz o papel de Sandra, uma moça que manteve uma relação incestuosa com um irmão, os dois tem a mãe uma Clintemnestra, adúltera e enlouquecida, com música sufocante de Cesar Franck e direção viscontianíssima.
Não sei se tem em video. Gostaria de rever o filme.
E dar um beijinho na aniversariante.
Vamos lá, você tem cinco minutos. Responda: em quem você votou para vereador, em 2004. E para deputado estadual , em 2006? E federal ?
Diga o nome dos suplentes dos senadores do seu estado.
E o vice-governador. Quem é o presidente da Assembléia Legislativa?
Quantas vezes o seu candidato para qualquer cargo mudou de partido?
Quer mais tempo, ou não adianta, você desiste?
Para quem teve presidente que idolatrava Valery e Mauriac, ou fundadores de museus, ou escritores , ou arqueólogos, ter um presidente que diz que a sua cantora preferida é a Celine Dion e que passa boa parte da audiência com o Papa mandando torpedos no seu celular, a coisa tá ruim demais.
Mas não é só na presidência que a França tá caindo pelas tabelas. Li uma reportagem sobre a Academia Francesa, este marco histórico que Luis 13 e Napoleão tanto valorizavam. Eles acabaram de eleger um compositor e roteirista de cinema , Jean-Loup Dabadie, uma espécie de Ary Toledo. E pensar que a Academia vetou Charles Trenet e mesmo recentemente o escritor Michael Edwards porque este escrevia em inglês e francês...
A Academia está devagar, quase parando. A idade média dos imortais é de 79 anos! E das quarenta cadeiras, sete estão vagas, por morte dos imortais. O maior desafio dela é publicar a quarta edição do Dicionário. As reuniões , todas as quintas, são pouco produtivas. Essa edição começou em 1935 e eles ainda estão na letra R!
Ninguém se candidata mais e a tendência é criar novas vagas. Levi Strauss, por exemplo, completa cem anos este ano. E faz tempo que não tem aparecido por lá. O jeton é baixo e as reuniões quando conseguem agrupar mais de oito acadêmicos são consideradas extraordinárias.
Será que não seria o caso de se fazer uma fusão entre a Academia deles e a nossa ? O Sarney seria um bom representante ?
Ou então convidar o autor ou a autora do grande best seller brasileiro.
Le dossier.