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A Tate Britain vai apresentar no verão deles uma exposição sobre a cultura orientalista, isto é, feita por ocidentais ( no caso, ingleses) das coisas do oriente. É, de certo modo, uma ilustração das teorias do Edward Said, que definia o orientalismo como uma maneira não muito sadia, imperialista, até, dos grandes Impérios ( Inglaterra e França ) de ver os povos do Oriente Médio , com laivos de romantismo , exotismo, mas de profunda inferioridade.
As teorias de Said , morto em 2003, estão cada vez mais questionadas. Há vários furos. Afinal, ele era da escola do Foucault e todos nós sabemos o que esta escola é capaz de fazer.
Às vezes eu acho que o ser humano prefere a mentira, ou melhor, prefere o sonho. Fica bem achar que nós somos melhores e depois que nós somos os malvados, mas continuamos promovendo muitas alterações, para ficarmos no mesmo lugar.
Ontem, por exemplo, fomos, Denise e eu, no concerto do Nelson Freire no Cultura Artística. Estava lá aquela elite que os outros da elite tanto condenam. Mas sempre é melhor achá-los, a elite Wenceslau Pietras Pietra, ruins, enquanto a elite Oswald de Andrade , a parte boa.
Mas eu estou mudando de assunto, daqui a pouco acabo me emocionando com as mentiras dos torturados que hoje são poderosos.
O quadro acima é do inglês John Frederick Lewis, e representa um harém. Faz bem o tipo da visão que temos deles. Somos atraidos pelas cores, pelas curvas, pela luxúria, pela música pentatônica.
Pelos camelos,pelas mil e uma noites.
Claro, com a Gyselle fazendo a tal dança do ventre...

Um dos poemas mais lindos de Randall Jarrell é A girl in a library ( uma garota numa biblioteca). Jarrell fazia aniversário em 6 de maio. Ele morreu atropelado numa estrada, pode ser acidente, pode ser suicídio.
O poema trata de um poeta vendo uma menina numa biblioteca da faculdade, lendo Onieguin do Pushkin e dormindo.
Tem uma frase divina: And yet, the ways we miss our lives are life.
Eu nunca tenho a certeza. É o jeito de perdermos a nossa vida ou de sentirmos saudades dela? Para que serve vivermos?
Havia um professor direitoso e fascista chamado Miguel. Ele dominava o Conselho. Para renovar, a esquerda escolheu um professor Luciano, para tirá-lo do Conselho. Deu certo. O professor Luciano começou sua escalada, virou secretário -executivo de ministério, quis reinventar a roda e defendeu a reserva de mercado para computadores . Tá certo que essa idéia nos causou prejuizos, atrasos e perdas. Mas não faz mal. O importante foi arrebentar com a direita.
Passaram-se muitos anos. O professor Miguel ocupa cargo de grande relevância no governo de esquerda. E o professor Luciano é presidente de banco que empresta com juros mais baixos, num país de juros altos.
Agora, o professor Guido, que é o ministro, quer que o banco tenha uma conta em dólar, lá fora , para ajudar empresas brasileiras. Esta é a fachada. Mas o intuito mesmo é tirar a condução econômica do acúmulo ou dispêndio das reservas internacionais da mão do Banco Central.
No mundo inteiro, quem manda nos juros e no câmbio é o Banco Central. E os tais fundos soberanos vêm do excesso de dólares que entram quando um país tem muito petróleo ou superávits altíssimos na sua balança.
Aqui, já que a nossa balança tá meio arriada, será inventado um jeitinho jabuticaba. A gente fica com dívida alta, continua com juros na lua, mas mantém moeda forte que se enfraquece , para as nossas empresas terem juros mais baixos. E a sensação que arrebentou a direita.
O Banco do professor Luciano emprestou para uma loja, que era de mulher para mulher, um dinheirinho, 200 milhões, de pai para filho. Parece que deu um rolo, alguém entra no meio, não entendi muito bem.
Tá tudo muito confuso. É o labirinto da nossa política econômica. A saida seria destruir as paredes, os muros, tornar tudo claro.
Será que algum professor poderia fazer isso , nos explicar o que está acontecendo ?

Outro dia eu falei aqui destes heróis de filme que faziam o tipo machão, mas que eram gays. Rock Hudson foi o clássico, mas houve o casal Randolph Scott e Cary Grant. Havia um ator chamado Jeff Chandler, que fazia sempre papel de índio ou bandido, que tinha como caracteristica principal a dureza. O sujeito era um tough guy. O meu pai o admirava muito. Mas quando soube que o cara era boiola, ficou numa crise ,num desapontamento...
Bem, no caso do John Wayne, calma, isso não ocorreu. Ele só era de direita. Fez quase 200 filmes ( No tempo das Diligências de 1939 foi o seu octagéssimo) e representa a figura caricata da América do Norte.
Por muito tempo achava que The Searchers ( Rastros de Ódio) fosse o seu grande filme. Afinal, ele terá que buscar uma sobrinha que fora sequestrada por índios e terá que se conformar com o destino dela, ao ser encontrada, estar adaptada a uma vida indígena; ela nunca mais seria branca. Mas depois, passei a gostar muito de Rio Bravo, agora não mais de John Ford, mas de Howard Hawks. Ele , com a ajuda de um bêbado e de um velho, mantém a lei e a ordem.
Mas ultimamente ando revendo muito o Homem que matou o Facínora,The man who shot Liberty Valance, de novo do John Ford.
A estória é a seguinte: um advogado do leste americano ( James Stewart) tenta a sorte no meio-oeste e é tratado por desprezo por ser muito letrado. Apaixona-se por uma filha de um bar, a moça é analfabeta,o ambiente é tosco, o melhor modelo a ser seguido seria do John Wayne, que faz transporte de gado. Afinal, ele atira bem e não tem medo de um facínora, Liberty Valance. Porém ele sabe que não tem chances de conquistar o coração da moça. Pois ele é um viajante, e ela , mais cedo ou mais tarde, acabará progredindo na vida e o progresso será com o advogado.
Só que ainda existe gente do mal, como Valance. Wayne chama o advogado de Pilgrim, peregrino. E por conta de um reles bife , que o bandido joga no chão para humilhar Stewart, Wayne demonstra que ainda há a necessidade da dureza. Faz o facínora se humilhar e diz a grande frase.
Liberty Valance is the toughest guy in the west. Next to me, pilgrim( Liberty é o cara mais barra pesada do oeste. Depois de mim, Peregrino).
Mas vem a modernidade. E o advogado por sorte, fraude,propaganda e talento, vence o mal, virando depois senador.
E para o nosso herói , representado por Wayne, resta apenas a saudade , na hora do seu enterro.
Sabem aquela música da Ângela Rorô que fala que o grande escândalo sou eu , aqui só? Pois é. O grande escândalo não é o Ronaldo e seus travecos. É o senhor Ricardo Teixeira, presidente da CBF que prometeu o mínimo, um plano de saúde , para todos os jogadores de seleções campeãs do mundo, e até agora nada.
O grande escândalo é ver o maior lateral-esquerdo brasileiro, a enciclopédia Nilton Santos, passar por grandes dificuldades, aos 83 anos.
É sempre bom lembrar que naquela época, os jogadores não ganhavam os rios de dinheiro que ganham hoje.