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Olha, já faz tempo que eu tenho um nome para a moeda única da América do Sul . Seria o "carajo". Já pensou una inversion de millones de carajos?
Está llovendo hombres...Aleluia.

No Grand Palais , um prédio bem 1900, nos Invalides, o escultor americano Richard Serra expõe quatro monolitos, à la 2001,uma Odisséia do Espaço, forçando-nos , num pátio enorme e vazio, a reflexão. Ele é um escultor que foi vanguarda e quase está a atingir os setenta anos.
No folheto da exposição ( que é só isso, as quatro placas enormes) há citação de outro minimalista, o compositor Philip Glass, também septuagenário.
Gripado, deito-me num banco e vejo a cena. Há uma palestra, um bar com poucos fregueses,uma senhora de idade procura um banheiro, o rapaz da administração a orienta, ela deve descer dois lances de escada. Dois jovens tiram fotos, brincando que estão carregando o monolito, numa piada sem-graça. Em frente do Palais, há o Petit Palais, com uma exposição de Goya , como gravador.Um casal de namorados resolve visitar a exposição do outro Palais.
De repente, tudo faz um sentido único. Devo estar com febre. Goya, um artista da revolução ? Uma bela época ? Um futurismo? Uma decadência? Peguei a moeda de dois euros , ela tinha sido me dada de troco.Resolvo gastá-la . Na lojinha , comprei um cartão postal.Uma linda moça me devolve outra moeda,um euro, meu novo troco.
Houve um tempo que se mandava cartões.Hoje, levamos as recordações dentro das malas, e em casa, perdemos tudo em gavetas , dentro de livros, em caixas dentro dos armários
Sai , eu não passava bem.Nunca é bom ficar gripado, ainda mais longe de casa. Senti uma espécie de vertigem.
Deve ter sido algo como ver o tempo passar e ,claro, a minha vida estar passando junto.
Isso de Academia Brasileira de Letras... Quando o Getúlio foi eleito, três escritores maiores do nosso país, Drummond,Sérgio Buarque de Holanda e Érico Veríssimo fizeram um acordo vitalício que nunca se candidatariam. Aliás, isso ficou tão forte na própria decisão do Chico Buarque, um letrista maior, evitar o fardão.
Com a morte da Zélia, surgem candidatos a toda hora. Primeiro , era um tal de Luis Paulo Horta ( desculpem a minha ignorância), mas surgiu o nome da historiadora Isabel Lustosa ( uma talentosa e divertida escritora e pesquisadora) e do Antônio Torres ( que tem o perfil acadêmico, isto é, aquele nem bom, nem mau).
Com a onda tricolor do Rio, muitos torcedores do Flu querem o nome da Barbara Heliodora, esta crítica e ( principalmente) tradutora de Shakespeare. Mas há a ala das baianas, que diz que Zélia é Amado , que é Bahia. Daí, pensam em Gilberto Gil, que também não seria de todo errado, pois seria uma espécie de renovação.
Mas a coisa ficou caricaturesca com a entrada em cena do Ziraldo. Olha, seu texto é bom, a HQ virou cultura integrada, mas eu ficou pensando se o nosso tesouro aguentaria um ex-perseguido político com pensão vitalícia e imortal...

Nesses tantos anos de amizade, não me recordo de ter visto o elegantíssimo Conde Ciano usando um chapéu. Mas como ele é um aficcionado da série do Spielberg Indiana Jones, talvez ele gostaria de ter um chapéu do héroi que fez o maior sucesso em Cannes , este ano.
E seria muito fácil, pois os chapéus dele são brasileiros. São feitos pela fábrica Cury, aqui de Campinas e podem ser encontrados na rua do Seminário, no centro de São Paulo.
Quanto ao crânio de cristal, isso fica um pouquinho mais difícil.

Como é bom saber que existe um gênio como McCoy Tyner, vivo, forte, ativo, aos seus apenas 71 anos, lançando discos, tocando em festivais,mostrando seu enorme talento ao mundo...
Este pianista, talvez o maior do jazz atual, que comerçou tão cedo, aos dezenove anos, com o essencial quarteto do John Coltrane, vem nos surpreendendo com sua técnica impecável, com seu tempo, com sua categoria. E agora, temos um disco, chamado Quartet , onde o sax é tocado por Joe Lovano. Claro, não é Coltrane, mas talvez seja até melhor que não seja mesmo. Assim, ficamos mais a vontade para só escutarmos o piano de Tyner.
Ontem mesmo, o Julinho me mostrou um clip ( se é que podemos chamá-lo assim, da Giant Steps, do Coltrane, onde a música acompanha a filmagem da partitura. E assim, vemos as notas dançarem. Mas é uma pena que os solos de Tyner não são filmados.
Quando Coltrane despirocou, digamos assim, pois sua música saiu da escala ocidental e foi se orientalizando ( e também se espiritualizando), Tyner percebeu que não tinha mais lugar , não havia mais espaço para ele. Até porque, islâmico, seu conceito de espiritualismo era ( e é) muito diferente. Foi um período difícil, os últimos anos dos sessenta. Muitos pianistas largaram o intrumento e passaram a ser tecladistas, com orgãos, sintetizadores e demais traquitanas.
McCoy Tyner, numa entrevista recente ao Telegraph , confessou que não poderia tentar outros caminhos. Ele era fiel a uma linda mulher , a melodia, e para continuar amando-a, ele precisava do piano.
Ainda bem para nós, que também somos fiéis a esta linda mulher.