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Em 1987, o U2 fez uma música chamada Where the streets have no name ( onde as ruas não têm nome), contando a estória de uma cidade que bastava dizer o nome da rua onde a pessoa morava, pronto, já se sabia se ela era pobre ou rico, católica ou protestante, e assim por diante. Quer dizer, quando tirássemos os nomes das ruas, acabaríamos os problemas.
Hoje, a Câmara dos Deputados , que parece que nos representa ( e o seu presidente já avisou que sai na porrada se alguém falar mal dela), aumentou o número de vereadores do nosso país.
Considerando que a metade do tempo de um vereador é dando medalha para algum cupincha e a outra metade dando nome às ruas, acho que era exatamente isso que o Brasil precisava. Mais vereadores!
Mas voltando à canção. Ela teve uma interpretação dos Pet Shop Boys que foi o maior sucesso, com música incidental do Frankie Valli e tudo mais. Na Inglaterra ainda há o cd simples, com duas ou até quatro músicas. Pois junto com as ruas sem nome, os Boys fizeram outro sucesso, chamado How can you expect to be taken seriously?
Se a tradução não for muito ofensiva à decisão da Câmara, este aumento do número de vereadores é algo assim:" como você espera ser levado a sério"...
Uma mulher, ré de uma acusação de homicídio, responde um interrogatório a um juiz. Ela não oferece qualquer resistência, nunca foi agressiva com nenhuma autoridade, nunca quis fugir. Talvez seja culpada da morte da enteada, talvez seja inocente.
Ela chora, está algemada.
Para muitos a algema é sinal de justiça.
Para mim, é sinal que,neste país, não chegamos ainda na obra de Cesare Beccaria , que trouxe o iluminismo ao direito.
É muito usado o termo gato, para a situação de um jogador de futebol ter sua idade aumentada, para ele poder disputar determinada competição, ou então diminuida, pelo mesmo motivo.
Acho que aí está a solução para o deputado Paulinho. Ele nasceu em 1956; portanto, tinha apenas doze anos de idade no famigerado sessenta e oito. Era só falsificar um documento de identidade , colocar mais uns quatro cinco anos nas costas e dizer, urbi et orbi, que lutou contra a ditadura, que pegou em armas pela democracia , que sofreu as mais bárbaras torturas.
Não seria apenas inocentado dos seus rolos no BNDES. Ainda teria direito a uma indenização vitalícia.
E viva o espírito de sessenta e oito!

A ainda candidata Senadora Clinton se acha melhor que os quatro presidentes juntos. Mas a sua campanha me lembrou a capa de um disco do Deep Purple, In rock. Um desenho medonho, num fundo azul berrante, mostrava os cinco componentes da banda talhados no Monte Rushmore. O disco foi aclamado, mas bastaram dois anos ( e dois discos, o Fireball e o Machine Head) e ninguém queria mais ouvir o tal In Rock.
Hillary não estaria no repertório do show do Deep Purple, nem quando eles vem para tocar em Santo André. Talvez se ela fizesse o que uns paises fizeram, incluir no disco um compacto com uma canção que fez sucesso , chamada Black Night, a coisa seria diferente. Mas black é uma cor que a senadora está evitando ultimamente.
E quanto aos quatro presidentes na rocha, nem eles estão se valorizando. Pois nem a nota de um(Washington) de dois ( Jefferson) ou de cinco( Lincoln) está com essa bola toda.
E Ted Roosevelt também não conseguiu se eleger, depois de morar uma vez na Casa Branca...
Ian Fleming , o criador do James Bond, completaria cem anos hoje e é dif´cil imaginar um mundo sem a sua criação. O que seria do Kako, do Conde e do Austin Powers se não houvesse o agente 007?
Eu nunca li , mas dizem que o texto é muito, muito melhor , mesmo, que os filmes. Para começar, o agente é mais humano, erra um bocado e chega até a ser esnobado por umas donas gostosas. Aliás, ele realmente começou seu rol de conquistas com a grossura de um meganha, mas depois foi se sofisticando, pois , ao contrário do que diz o Nelson Rodrigues, mulher não gosta do homem que entra de sola.
Como no caso do Bizet, que teve o sucesso da sua ópera Carmen ocorrido após a sua morte, deixando a viúva com a grana toda, Fleming morreu em 64 e a grana só entrou depois de 1967. Aliás, Fleming chegou a matar o agente, no You only live twice, com direito a obituário no Times. Mas , como no caso do Sherlock Holmes, ele foi ressuscitado, no seu The Man with the golden gun. Mas quando este livro saiu, foi a vez de Fleming merecer o obituário do jornal.
Bom, muitos foram os novos escritores ( inclusive Kongsley Amis). A senhora Fleming reclamou, mas continuou recebendo os royalties.
Talvez com o fim da guerra fria, muita gente pensou que o mundo da espionagem tinha acabado, mas sempre haverá os terroristas , os neonazistas, os traidores, os traficantes.
Ou seja, sempre haverá o Doctor Evil.