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A Dona Denise Paradisecity sempre que viaja leva muita roupa, muitos sapatos, enfim, a mala fica pesadíssima, e eu aviso que há o limite de peso, acho que é de vinte quilos. E o que é pior, ela não usa nem a metade das coisas que levou.
Já a Dona Denise Abreu, levou trinta quilos de documentos dentro da sua mala. E não usou nem um papel sequer .
Dizem que ela fazia lobby pela TAM. Parece que uma das vantagens de ser cliente fidelidade Tam vermelho é poder levar bagagens mais pesadas.
Acho que está explicado.
Uma das frases mais ditas no Brasil é que o nosso Congresso é a representação do nosso povo. O Parlamento tem a nossa cara, é o jeitão da nação.
Bom, um levantamento chegou à porcentagem de 40% dos nossos congressistas são réus ou já foram condenados em alguma instância e estão recorrendo.
Quer dizer que 40% dos brasileiros é réu? Então, com todo o respeito, estamos todos ferrados...
Dizia o Júlio Cortázar que citar é citar-se.
De um lado, a Charuteira disparando frases da Bíblia sem qualquer nexo, de outro a Senadora Ideli citando a letra do Fernando Brant , Levei um susto imenso nas asas da Panair;
Como acaba a carta do Oneguin para a Tatiana ( prometo um post inteiro sobre este romance que é, disparado, o melhor livro da literatura russa):
Então é isso,eu não estou em condição
De lutar mais com a minha paixão.
Sou seu, neste desígnio forte
E me rendo, é tal a minha sorte.
Pois é. Com este nível de discussão entre a ex-toda poderosa ( que mandou familiares das vítimas do acidente da TAM calarem a boca )e a senadora estridente que se acha agora símbolo , eu me rendo.
Um dos maiores livros do Machado de Assis, Esaú e Jacó , trata da rivalidade de dois gêmeos. Que no final , após a morte da mãe, resolvem , depois de anos de briga, a harmonia, o fim das querelas. Mas logo se desentendem. Disse então o Conselheiro Aires, o sábio , que devia ser algo relacionado à mulher ou dinheiro, e assim, ficaria ele , Aires, com a impressão de ter explicado tudo da maneira mais simples, pois ninguém seria capaz de entender o destino beligerante.
Pois hoje , além do aniversário da Natalie Portman e do Fernando Alge, descubro que o leitor Wandhklêyson, que já foi Peer Gynt, Cururu, Stockmann mas agora é o nosso Wandeco, como chama o Kako, também faz cinquenta anos de vida, no dia de hoje.
Bem, eu não o conheço pessoalmente, mas fico preocupado quando ele não faz um comentário, sempre provocativo,sempre do contra. E se o Alge é um Zé Fernando, o Wand é um Zé Fernandes, aquele jurado do Silvio Santos que só deu uma nota dez na vida e justamente para o Guilherme Arantes com a balada eltonjohniana Meu Mundo e Nada Mais.
São as ironias dos mapas astrais, sem dúvida nenhuma.
Wand, que nasceu no Rio, que sabe o que são as dificuldades de um menino pobre , ou melhor classe média , que fui, e fomos, muitas vezes discorda dos seus próprios pontos de vista , apenas para melhor entender o outro lado da contenda.
Pouco afeito ao futebol, dilmista por aversão ao tucanato do FHC ( outro geminiano, ai de nós) ou do Serra ( um Zé mais competente que o Darth Vader caipira), Wand tem sempre a paciência de aceitar discussões .
Olha, Wand, que coisa, hein, cinquenta anos... Parabéns e muitos anos de vida.
Afinal, é a única maneira de se ver a decadência dos todos poderosos .Sim, é viver o longo período.
E um dia, quem era mesmo o Collor? Ou o FHC ? Ou o Lula ? Ou a Dilma? Tudo isso passará.
E somos, Alge, você e eu, maiores que o Napoleão. Pois o homem que queria conquistar o mundo nunca foi um cinquentão!
Abração!
PS: Com tantas opções nascidas em 11 de junho, a melhor visita a meu blog seria a da Natalie Portman. But...

Faz exatamente trinta e um anos e eu me encontrava com o meu colega e amigo Professor Fernando Alge , numa loja de discos. Eu estava sem grana e havia saido o disco duplo dos Rolling Stones, Love You Live, com capa do Andy Warhol. Ele comprou o disco, talvez tenha sido presente dos seus avôs, antigamente os avôs davam dinheiro para os netos gastarem em livrarias ou loja de discos.Era de tarde, de noite ele iria fazer um pequena reunião,coisa simples, nada de festança. Talvez uns quatro amigos, se muito. Ele, percebendo a minha curiosidade ( pois naquele tempo os discos dos Stones nos deixavam curiosos), disse-me para levar um dos discos, ele escutaria o outro, de noite eu o devolveria. Fiquei com o primeiro .
De noite, ele estava eufórico. O disco 2 tinha seu lado A quase acústico, só com blues antigos. E eu estava apático. Eles tinham feito aquilo que depois fariam por todos os seus discos ao vivo, aquela carregação, aquela obviedade.
É assim que eu me lembro deste disco.
Já daquela época, minhas lembranças são mais apagadas. Foi numa época que eu acreditava na loucura das vidas alheias, onde os Stones serviriam de bússsola. Eu não tinha conhecido ,ainda, aquilo que Pushkin chamou de lei, as regras arbitrárias da paixão. Nem havia marcado nenhum encontro com nenhuma colombiana, digamos assim.Acreditava que um hora a vida se abriria , um outro mundo, eu seria um talentoso alguma coisa, um genial fenômeno , com fama, reconhecimento e quase idolatria.
Those were the days.
Não que eu tenha muita saudade dos idos dos anos setenta, mas comemorar dezenove é melhor que cinquenta. Enfim, tudo se transforma. Assim, salve o Professor!
PS: como no Sympathy for the devil, "o que está te encucando é a natureza do jogo". Ou seja, o que tem a ver a Natalie Portman pelada e o senhor músico e engenheiro José Fernando ? É que ambos são do dia 11 de junho.
E eu acho que não seria de bom tom expor um respeitável senhor, amigo de condes , empresários e militantes de todos os creddos políticos e estéticos, a tamanho despojamento...