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Saiu um livro muito interessante do historiador inglês David Kynaston, chamado Austerity Britain. Ele conta como era a situação do pós-guerra, entre 1945 e 1951, quando os trabalhistas voltaram ao poder. Kynaston já havia feito uma história da cidade de Londres, em quatro volumes, o que mostra que ele tem muito fôlego e sabe pesquisar.
Pois quem viu o filme 84 Charing Cross ( Nunca te vi, sempre te amei) já tinha uma certa idéia, mas as coisas foram barra, na época onde os roqueiros que hoje são cavaleiros , usavam calças curtas.
Noel Coward , com seu humor ácido, cantava, em tom maior, como se fosse uma marcha militar, " que os tempos ruins espreitavam os cidadãos britânicos". Tennesse Williams, acostumado à fartura americana, disse que a Inglaterra era o lugar mais incômodo , desajeitado e caro do mundo. Havia racionamento para tudo. Pão e sabão. Filas para comprar carne de cavalo. Apagões. Faltava carvão para o aquecimento. Era lasca.
O que animava o povo era a televisão, os esportes, o casamento da rainha e seu primeiro filho . Churchill era uma coisa anacrônica. A guerra parecia ter sido perdida pelo Império . E muito se queixavam do Plano Marshall , que era tão bonzinho para os italianos, por exemplo.
Na gestão do trabalhistas, foi criado um welfare state, foram estatizados o carvão, os transportes, a rádio, a eletricidade. Foram implantados regimes de aposentadoria e de saúde pública. A Inglaterra assumia que seu Império tinha chegado ao fim. As colônias partiam, às vezes , a pressa era da própria metrópole ( Palestina, por exemplo).
Bem, em 1951, Margaret Roberts , crítica do welfare state (" isso é pernicioso e anti-britânico") viu os trabalhistas serem reeleitos. Foi o ano que ela se casou com o senhor Thatcher.
E o resto, vocês podem aguardar para o novo livro de Kynaston.

Quando eu era pequeno, havia uma mania de algumas crianças, principalmente as meninas ,de falar "licença" e com isso você ficava proibido de ouvir o que elas estavam conversando. Você tinha que sair de perto. Era uma coisa muito indelicada, e coisas assim grosseiras não devem ser repetidas. Mas...
Este post, na verdade, é para a Dona Denise. No dia dos namorados, mando uma fotografia desta escultura, A Idade madura, da Camille Claudel e ela vai tomar este post como um beijo. E eu digo licença.
Para os demais leitores, apenas um comentário. Camille, uma escultora menor na técnica, mas que tinha muita inspiração, atingiu a sua melhor marca nesta escultura que, infelizmente, nem teve o bronze financiado pelo governo francês, como era praxe no começo do século passado.
Entretanto, hoje é considerada uma das maiores obras de arte da França.
Tem coisas que só depois de um tempo a gente dá valor. Feliz aquele que, mesmo na idade avançada, valoriza o bom.

Estou viciado em duas coisas. Ler notícias de Canguçu e as respostas da Madame Betty Milan no vejaonline para os pacientes amorosos.
Da nossa querida Princesa dos Tapes, a última notícia que tenho é uma Fenadoce, que deve estar sensacional. Já da Doutora Betty, li que um sujeito levou um chifre e foi expulso de casa , nu com a mão no bolso.Para ser mais exato, com algumas roupas velhas e duzentos reais. Bem, o gajo tentou se matar três vezes e ,graças a intervenção milagrosa do seu anjo da guarda, ou sua incompetência suicida, não obteve sucesso. Ainda bem, não ?
Bom, como perguntou o Lênin, o que fazer ? Pois a Doutora , citando Carlito Maia , um filósofo segundo ela, " não começar a parar e não parar de começar". O que significa isso ? Sabe-se lá...
Carlito Maia era uma figura que bolava frases para o PT como o Lulalá, o sem medo de ser feliz, entre outras, além de outras platitudes indignas do Marquês de Maricá. Teve a sorte de morrer antes do Lulalá, pois não creio que teria capacidade de bolar frases pirotécnicas defensivas.
No fundo, no fundo, era um parvo. E como já dizia o Voltaire, só para agradar a doce Betty que mora em Paris, " um tolo sempre encontrará um mais tolo a admirá-lo".
Pois se é para eleger filósofos, no caso em questão, vou contar uma estória que envolve o filósofo Valdick Soriano.
Um dia eu estava num bar chamado Armando, que ficava num prédio na esquina da Dom José de Barros com a Barão de Itapetininga. Estava eu e mais um amigo, que tinha levado um chifre. O homem , claro, não se conformava. E se lamentava. Nisso, entrou o Valdick e eu achei que era hora de ouvirmos um verdadeiro filósofo. Quando ele passou e o chamei. Ele fez cara de surpresa. Pois contei-lhe o problema do meu amigo. Pois o cantor olhou para o meu amigo e perguntou se o problema era dor de cotovelo ou dor de corno. Como era a segunda opção, ele disse que não era para muito se preocupar. Que catasse outra vagabunda. E que mandasse a velha paixão para a puta que pariu.
"Já levei muito chifre, mas estou aqui, firme e forte. Armando, liga essa porra de ar condicionado. E quando a mulher chegar, fala para ela que eu estou no reservado, esperando por ela..." E o filósofo nos deixou.
Acho que a doutora Betty não sabe a filosofia do eu não sou cachorro não.

Eu achava que o compadre mais poderoso era o Cumpade Washington, o líder do Tchan, um grupo rebolativo com duas Sheilas gostosíssimas.
Mas há cumpades mais poderosos, que seguram todo o tchan possível.
Ontem, por acaso, vi o maravilhoso musical Les Demoiselles de Rochefort. Tava zapeando e naquela televisão francesa que só tem debates inúteis , este segundo musical do diretor Jacques Démy, mesmo famoso que Os Guarda-Chuvas do Amor ( Le parapluies de Chérbourg), mas talvez mais interessante.
Deneuve e a sua irmã mais velha, Françoise Dorléac, fazem o papel de duas talentosas gêmeas, uma na dança, outra na música, que estão vivendo numa cidade do interior, e desejam ir para Paris.
É uma comédia romântica, com músicas do Michel Legrand e coreografias muito calcadas em West Side Story. As cores são marcantes e o filme ainda conta com a luxuosa participação do Gene Kelly, com suas danças maravilhosas. A canção do marinheiro-pintor Maxence virou You must believe in spring, que por muitos anos fez parte do repertório do Bill Evans.
Infelizmente, um mês depois das filmagens, a irmã de Catherine, Françoise ,aos 25 anos ,morreu , num acidente de carro, o que deu uma micada no filme. De qualquer forma, o filme só nos mostra como os musicais ainda tinham ( e tem) espaço nas telas.
Ontem, recapitulando, teve Catherine Deneuve e o Corinthians perdeu.
Fui dormir muito feliz.
