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Posso especular um pouco? Se em julho de 2005, o presidente Lula estava pela bola sete, se o Marcos Valério tava doido para detonar, se o João Paulo estava em pânico, se o Thomaz Bastos sugeriu um acordo com a oposição, acho a situação estava muito mais grave que um vira prá lá na cama que amanhã passa...
A minha opinião, e aí nunca ninguém vai me dar os cem por cento de garantia, é que veio um acordão graúdo , entre o Lula e altos tucanos.E a rapaziada petista a ser queimada sairia com uma bolada para comprar os curativos.
Lula tem essa dívida com a oposição.
E vou mais longe. Ele vai pagar.
Estou com uma tosse alérgica e a Dona Denise acha que é o excesso de livros . Pode ser. A desgraça é que um livro puxa outro...
Eu tenho uma amiga que cada vez que eu falo de um autor, ela diz que é um escritor-muito-prazer-nunca-ouvi-falar-nele.
Mas parece que há um mundinho desses grandes escritores que fazem coisas muito interessantes. Um bom exemplo é o irlandês John Banville, que lançou agora um livro com a sua peça radiofônica entre encontro que ocorreu entre o poeta Celan e o filósofo Heidegger, numa cabana nas montanhas. Celan escreveu apenas um poema sobre o encontro, quase todo incompreensível.
Então, como é possível haver diálogo entre um perseguido pelo nazismo e um filósofo com visões pró- nazistas? Bem, a peça tenta fazer essa questão ficar mais clara.
Por cem euros, o livro pode ser comprado e o preço é alto porque a tiragem é baixa. São apenas 350 exemplares, todos eles assinados pelo Banville, com ricas ilustrações.
Agora, imaginem o diálogo entre a Dona Denise e eu, quando ela me perguntar se eu comprei um xarope e eu disser que não, que torrei cem euros num livro de um muito prazer...
A gente está comemorando a conquista de 58 e sempre associa aquela seleção aos anos dourados do JK. Mas dá para fazer uma relação entre as seleções e a música popular brasileira. A de 58 tem mesmo o impacto da bossa nova , com João Gilberto e Tom Jobim. A de 62, já seria a segunda leva, com influências do west coast , coisa de João Donato, Dori Caymmi, Marcos Valle, Edu Lobo. A de 66, foi meio Jovem Guarda e saindo o Pelé, ficou como sem o Roberto Carlos. Uma coisa assim meio Ronnie Von, Martinha, Leno e Lilian. A de 70 é muito Chico, Gil, Caetano, Milton . A de 82, é o estilo do Djavan, do João Bosco, Tim Maia. A de 90, a do Lazzaroni, é estilão duplas sertanejas mal-ensaiadas. A do tetra é rock nacional como Lulu Santos, Paralamas, Barão Vermelho com Cazuza. Já a do Felipão é a volta do chorinho, Borghettinho, som instrumental , a redescoberta do Moacir Santos, arranjos do Jacques Morelenbaum.
Já a de 2006 foi Daisy Tigrona e Tati Quebrabarraco.
E a do Dunga , é Mulher Melancia .
Que tal ?

Teve uma novela da Globo, que o Marcos Palmeira era casado com a Débora Evelyn e se apaixonou pela Malu Mader. Bem, o Palmeira não podia se separar da mulher porque iria traumatizar o filho. Foi a primeira novela que eu vi esse ator, o tal Bruno Gagliasso. Na novela, o Bruno fazia o papel do Inácio. Pois este tal Inácio tinha sido perturbado por um acidente, e por isso o pai tinha medo de deixá-lo ainda mais bobo. Então, melhor dos mundos, tinha a esposa apaixonadíssima, e uma amante do nível da Malu. E quando a barra pesava, ele se abraçava com o filho e dizia :" Inácio, meu filho!" e o tal Bruno não caia na depressão, na confusão das idéias, na idiotice.
Pois hoje, lendo na coluna da Mônica Bergamo. descubro que o Bruno Inácio Meu Filho Gagliasso vai fazer , no teatro, o papel do Van Gogh. E falou duas coisas extraordinárias. A primeira, sobre a sua carreira. "Quando comecei, era mais um. Mas hoje as pessoas me respeitam. Acho que com o Van Gogh foi a mesma coisa..." E a segunda, também do mais alto nível," Não tive tempo de ir para Amsterdam. Então fui para Nova York, porque tem tudo lá. E tava reinaugurando um museu lá e você não acredita, tinha uma homenagem ao pintor e eu vi todos os seus quadros. Foi a maior sincronicidade".
Bem, vocês se lembram que o pintor cortou uma orelha, não ? Pois o Bruno Inácio Meu Filho foi mais radical. Ele já veio com o cérebro cortado.
Mas acho que ele faria mais sucesso no musical que também estréia em São Paulo, o Mágico de Oz.
Claro, como o Espantalho.
Maior sincronicidade...
As autoridades soviéticas prenderam a poeta Anna Akhmatova por idéias perigosas. Uma delas é que as fontes do folclore russo , na obra de Pushkin, estão, em muitos casos, nas Mil e Uma Noites.
Já aqui, você pode ser o Ali Babá ( ou qualquer um dos quarenta ladrões) e leva uma vida tão maravilhosa como a lâmpada do Aladim.