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Que a nossa Natália é linda, é óbvio. Mas não é que o maior pé frio do Brasil vai estar no Vietnã, justamente quando lá, haverá o concurso de Miss Universo de 2008 ? As chances, creio eu, são mínimas...

Gosto da palavra inglesa ( ou seria melhor falar francesa ?) memoir. Já escrevi um pouco sobre isso. Pois agora o texano Larry McMurtry escreve Books : A Memoir, que trata de alguns aspectos da sua vida, principalmente como vendedor de livros usados. Apesar de ser um escritor prolífico ( quarenta livros) , incluindo neles o roteiro do Brokeback Mountain e o romance maravilhoso "A última sessão de cinema"(aquela pérola de filme veio a partir dele) e também os "Laços de Ternura" ( que ganhou Oscar, ele se diz, cada vez mais , um vendedor de livros.
Aos 72 anos, ele chega a seguinte conclusão: "todos os escritores só pioram com a idade. Mas os vendedores de livros,não". Ele tem hoje , ainda, a rede Booked up, que começou numa casinha na cidade de Houston, foi para Washington DC ( "uma cidade onde as casas não têm livros",segundo ele, "só jornais e fofocas") e , finalmente, uma mega-loja em Archer City,no Texas. Em 2005 , ele pensou em fechá-la. Afinal, mais de 400 000 livros é algo ingovernável. Mas acabou cedendo ao apelo e foi deixando.
O mais legal é uma placa que tem lá dentro: Quando o Senhor McMurtry está na loja? Ele autografa seus livros? A resposta é: a loja não vende livros do Senhor McMurtry, apenas de outros autores. Logo, ele não pode autografá-los. E ele está na sua loja at his whim ( ou seja, quando tem vontade).
McMurtry explica uma coisa que tem a sua lógica: O escritor não vende o seu próprio texto? Por que eu não posso vender os meus livros de outros autores ?
Normalmente, as viúvas e os filhos vendem as bibliotecas. O texano foi mais prático. Vendeu-a em vida.
Outro detalhe da placa na loja. " Há pechincha? Não, os funcionários perderão o emprego;só o dono está autorizado a reduzir ou mesmo anular um preço. At his whim. "
A vida boa mesmo é usando esse tal de at his whim, não é mesmo?
Hoje é aniversário do pintor Marc Chagall e o google na sua fase cabeça faz uma decoração no seu nome. Ele já havia feito isso com Velasquez. Dizem que o melhor desse pintor são uns vitrais numa igreja em Kent. Não sei, nunca vi.
Mas a cidade é conhecida por um festival de rock que se passa na primavera, o Hop Farm.. Deste ano o show teve o destaque a apresentação do Neil Young. Há no you tube o fechamento com A day in life dos Beatles. Neil Young não é tão craque assim quando faz covers ( nem All along the watchtower, nem Imagine, nem Sittin' on the dock of the bay fazem a minha cabeça...), mas nessa canção bem Lennon-McCartney a coisa ficou boa porque aquele dramalhão das cordas do George Martin foi substituido por um arranjo garage band, à la Nirvana ou Pearl Jam.
Essa música é meio difícil de se escutar sem os Beatles. Naquele disco do George Martin, nemo Jeff Beck conseguiu sair do padrão. Já Young o fez, mas com algum relaxo.
De qualquer forma, juntar Chagall e Neil Young é coisa de louco, não é mesmo. Mas não era o Lennon que queria fazer a minha cabeça?
Outro dia horrorizado quando uma amiga minha falou que não se amarrava no Louvre porque lá tem muitos quadros grandrões com mitologia e cenas bíblicas. Mas aí veio o caso ainda pior: uma colega do Julio foi a Paris e disse que lá fizeram um Museu igualzinho ao filme Código de Da Vinci, com a Pirâmide e tudo!
Mas hoje eu vou confessar que tem coisas que eu não me amarro, não. É fábula, histórias de criança, lendas, parlendas, ex-lendas, lorotalendas.
Ontem mesmo, não sei o motivo, só sei que a Dona Denise disse que os pais do João e Maria eram uns caras desgraçados. Como era possível abandonar dois filhos numa floresta .cheia de lobos, porque eles eram pobres e não tinham comida para a família... E que estória cruel essa de uma bruxa querer comê-los e para isso eles precisavam estar bem gordinhos...
Mas isso parece pouco, quando existem as estórias infantis dum tal Doktor Hoffman. Ele tem até um museu macabro das suas estórias, que fica em Frankfurt, o Der Struwwelpeter. Para vocês terem uma idéia, tem uma estória que uma menina usava muitas vírgulas e elas se revoltaram e pegaram fogo se esfregando e o caderno pegou fogo e daí a casa da menina, que morreu queimada! Outra também antinazididática, mas mesmo assim. Três brancos riram de um negrinho. Aí o professor resolveu fazer o policamente certo: pegou os três moleques gozadores e jogou-os dentro de uma lata de graxa. Que provocou sérias irritações na pele e eles... morreram.
Tem uma mais light. Um caçador de coelhos estava dormindo, e um coelho chegou de mansinho, roubou a sua espingarda e matou-o. E outro menino que não gostava de sopa, até que ficou cinco dias sem comer sopa e , como não havia outra comida, vocês podem imaginar o que aconteceu ,não ?
Depois a gente não desconfia como a juventude nazista surgiu...
Sábado agora visitei um casal de amigos, era o aniversário dele e , aproveitando a época, eles fizeram uma espécie de festa junina. Eles são sempre animados e agora parecem mais, pois passarão um mês de férias na Itália. Ela quer ir até o sul, até Pompéia, mas o marido prefere algo mais ao norte. Realmente, é difícil decidir. Dizia Goethe que para conhecer Roma não basta uma vida; imaginem então a Itália...
Mas a moça é uns dez anos mais nova que eu e disse-me que se amarrava em Pompéia, por conta de um filme que viu , um show numa arena em Pompéia , do Pink Floyd, que tocava Echoes. Já as pessoas da minha geração ( penso no Conde Ciano) gostavam da cidade por conta do livro histórico romanceado Os últimos dias de Pompéia, escrito por um milico inglês ou americano, não me lembro. Ele e Quo Vadis ? eram um must das nossas biblioteca infanto-juvenis.
Bom, a Itália sob Berlusconi tem lá suas características fascistas e isso, se a princípio costuma ter uma visão de grandeza para os monumentos da Grande Roma, costuma ter , no fim das contas, resultados prá lá de questionáveis.
O ministro da Cultura é Sandro Bondi, um poeta que escreve elegias pró-Berlusconi. O prefeito de Roma , Gianni Alemano vive dizendo que a Itália deve muito a Mussolini e para o caso de Pompéia, que tem muitos espaços fechados, que a restauração de muitos locais não tem verba,onde há muitos assaltos e ataques a turistas, a solução do Neo-Duce Sílvio foi nomear um comissário para assuntos especiais em Pompéia, Mario Mori, que era um araponga.
Talvez seja o caso do casal ir logo antes que o vulcão berluscônico entre em erupção...