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Como todos sabem, este ano haverá os Jogos Olimpicos, em Pequim.Eu não pretendo vê-los, pois sempre achei-os chatos e estou numas de Bernard Henry Lévy e Mia Farrow. Faço o meu boicote particular ao país que mantém o genocídio em Darfur.
Mas enfim, falando de Jogos Olímpicos, saiu um livro de um americano chamado David Maraniss, que diz que foram os Jogos de 60, em Roma, o divisor de águas. Foram, na visão dele, os mais importantes. Pois foi quando a guerra fria estava no ápice e os anos românticos terminaram.A partir dele, a coisa ficou essa competição desgraçada.
Bom, eu não sei, mas acho que há um certo absurdo, um certo exagero. Foi o ano que o garoto de dezoito anos deslumbrou o mundo, no boxe. Cassius Clay foi medalha de ouro. Mas o maior destaque, até onde eu sei, foi o maratonista Abebe Bikila, da Etiópia.
Uma vez eu perdi os meus sapatos e tive que andar uns dois quilômetros desacalço na rua. Fiquei com umas bolhas enormes, levaram uns cinco dias para eu conseguir andar de novo. Pois o etíope correu a maratona de 42 quilômetros descalço! E foi medalha de ouro, com recorde e tudo. Foi tamanha a surpresa que o Imperador Hailé Salassié deu-lhe a maior medalha do país. E a Gina Lollobrigida, que era a atriz gostosona da época, saiu com o campeão ( tudo a ver, ela, em 1959, havia sido a Rainha de Sabá, a personagem etíope da Bíblia)
Nas Olimpiadas do Japão, os japoneses o proibiram de correr descalço. Ele colocou então uma sapatilha e ganhou de novo. Aliás, os japas foram super-frescos com essa estória de calçado, mas se esqueceram de levar para a orquestra a partitura do hino etíope. Resultado, Bikila subiu no pódio ao som do hino japonês mesmo.
Mas o mais incrível foi a sua participação nas Olimpiadas de 68,no México. Ele correu dezessete quilômetros mas teve que desistir. Ele estava com uma fratura na perna!
Bem, este herói, digamos assim, foi vítima do malufismo avant la lettre. É que o Imperador deu-lhe um fusca de presente, em homenagem às suas conquistas. Mas ele era barbeiro , teve um acidente e ficou paraplégico. E, triste destino, morreu, aos 41 anos, depois de uma hemorragia cerebral.
Bom, vamos acabar bem esse post.
Eis a foto da Gina, como Rainha de Sabá, esperando o Salomão.
Vale a pena correr os 42 quilômetros descalços, não ?
Segundo o escritor Nick Hornby foram feitos levantamentos e foi possível se chegar ao astronômico número de 13 mil as personagens da obra de Charles Dickens. Eu tenho certeza que não conheci, nem criei, tanta gente assim na minha vida.
Mas deve ser mais ou menos este o número dos encrencados com o Daniel Dantas, segundo as averiguações prévias ,delirantes ou não.
Mas aí eu me lembrei duma estória . Um dia , eu era pequeno, e vi um pessoal jogando no bicho. E perguntei para o meu pai qual a garantia que o apostador tinha, pois o bicheiro poderia fugir e não pagar o eventual prêmio. Aí ele me explicou que a garantia era a confiança; quer dizer, ao ver um sujeito ganhando o prêmio, os outros passariam a ter confiança no bicheiro e continuariam apostando. Se desse o fora, seria a primeira e última.
Será que alguém ainda confia nos negócios do Senhor Dantas, que são baseados, como todo o banco, na confiança ?

Though life's road , so dim and dirty
I have dragged to three and thirty
What have these years left to me ?
Nothing- except thirty-three.
Pela estrada da vida, escura e suja
Passei trinta e tres anos na dita cuja
E esse tempo o que me fez ?
Nada_ foram trinta e três.
Em 1676, o frei capuchino Antônio Fuentelapeña escreveu uma enciclopédia de monstros e fantasmas , chamada El ente dilucidado. ( O ser elucidado).Eram mais de mil e oitocentos verbetes, em especial definições sobre duendes que ,segundo o autor , eram animais corpóreos, invisíveis ou quase, que não podem nunca ser confundidos com anjos ou almas penadas.
Agora não está mais na moda acreditar em duendes.
Mas existem relatórios policiais tão fantásticos quanto o livro do frei. E delegados que desaparecem, tornando-se invisíveis, ou quase.
E os crimes não ficam ,nunca, elucidados.
Criado por uma rigorosa avó alemã, ai de mim se esquecesse um casaco na escola, ou se perdesse um guarda-chuva. Isso me fez um cara estóico. E não posso deixar de dar bronca no Julinho quando ele, afoito, esquece o celular ou um molho de chaves no trabalho ou na casa de alguém.
Mas leio no Guardian que , em média, são 12 mil laptops esquecidos nos aeroportos americanos , por semana!
Eu, que nunca tive um lap top, fico imaginando o tamanho do preju, tanto na máquina , quando nos arquivos.
Um povo que esquece tanto lap top , só pode estar com uma economia na base do top top , mesmo.