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Li no Corriere que a atriz Marisa Merlini, que foi uma grande comediante, mas também fez filmes sérios, morreu, aos 84 anos. Lembro-me vagamente dela no filme do Totò que ele procura uma casa. É que ele teve a sua casa bombardeada na guerra e esperava uma indenização que nunca veio, claro. Totò vai morar num cemitério, no Coliseu, numa escola durante as férias e no final cai num golpe e compra a mesma casa que outros quatro famílias. Pois Merlini era uma das compradoras.
Totô fez muitos filmes e muitos são geniais. Mas se eu pudesse escolher um seria o Signore si nasci, onde ele é um barão falido, que vive de expedientes e jogo, e é o irmão do alfaiate dos cardeais em Roma. E sempre quer dar um aplique no fratello.
Bom, mas voltando ao filme onde a Marisa Merlini trabalhou, a mulher reclama que eles vão morar no Coliseu. E Totò diz apenas: as mulheres estão sempre reclamando. Vem gente de todas as partes do mundo conhecer a nossa casa, que tem um quintal espaçoso, cabem até leões...
Ruy Guerra e Chico Buarque, na peça Calabar , já cantaram que o Brasil seria um imenso Portugal. Mas há quem preveja um imenso canavial.
A minha questão não é essa.
Será que até o final do governo Lula não surge o Ministério dos Biocombustíveis?
Se você está um pouquinho acima do peso e se deprime com a inflexível marca da balança, bem, feche a boca, pratique esporte, corte refrigerantes , doces e pães.
Mas se você acha que tudo é psicológico, um amigo meu deu uma dica inglesa. Sim, pegue um lápis e papel e peça prá alguém marcar o seu peso, você fica de olhos bem fechados. O amigo marca e multiplica por 2,2. Você terá o seu peso em libras. Daí você vê quanto pesa em quilos.
Eu, por exemplo, peso 190 libras. Nossa Senhora, tudo isso? Mas em quilos, estou com 86,3 quilos. Até que razoável, não é mesmo?

Na semana passada eu comprei a primeira parte da biografia do Mahler, do Lagrand. São 900 páginas , além dos apêndices. Era um desejo antigo, que eu lia nas revistas e nunca poderia imaginar ter esse catatau. Aliás, comprei na Lilian, quer dizer, num sebo do centro. Uma das coisas boas da vida é encontrar um livro que sempre desejamos numa livraria de livros usados.
O livro é maravilhoso, mas me causa problemas. A questão sempre é o espaço. Onde colocá-lo, após lido ? Voltamos ao problema das estantes, debatido à exaustão lá em casa.
Mas se fosse só a vida do Mahler que me interessasse , estariamos bem. Como na canção do Kid Abelha, tudo me interessa.
Por exemplo, acabou de sair a primeira biografia do Godard. Incrível, não ? Os franceses que escrevem sobre tudo, com aquela filosofice toda, deixaram essa missão ao crítico americano Richard Brody, do New Yorker. Ele se diz surpreso , desde os seus dezessete anos, quando viu o Acossado ( foi mais ou menos nesta idade que eu vi o filme e confesso ainda muito apaixonado por ele). O livro tem 700 páginas, quer dizer, outro piramidal.
A biografia é intelectual, isto é, não conta detalhes da vida dele com mulheres, com drogas ou bebida, porque como disse o cineasta, tudo é cinema.
Se eu achar este livro, no futuro, num sebo, eu compro. Mas o melhor mesmo seria achar uma americaninha vendendo Herald Tribune na Avenida dos Champs-Élysées e , claro, ela diria que votará no Obama...
Isso de se apaixonar pela namoradinha do amigo meu é uma roubada. No final das contas, você perde o amigo, perde a garota e se perde.
Vejam o caso do Brasil. Ele olhou e achou que o mundo estava namorando uma causa, mas que tinha parado de namorar essa causa. De repente, na discussão da OMC, nós achamos que a rodada ia rodar e então era melhor ficar com o possível. Quer dizer, já que os dois não estão mais afins, eu quero ficar com a moça.
Mas não é isso que tá rolando.
Em português claro, corremos o risco da Rodada não sair, do nosso etanol não ser vendido, do subsídio não cair, e ainda levaremos o título de traidores.
Quer dizer, perderemos o amigo, a garota e nos perderemos.
Ficamos cinco anos falando a mesma ladainha. Mas na hora da missa, mudamos de idéia.
O meu pai conta que quando ele era pequeno, iria passar um filme no cinema para maiores de cinco anos. E o seu irmão tinha só quatro. Aí combinaram, a mãe e os dois moleques , que iriam mentir. Treinaram o pequeno para responder que tinha cinco anos. Toda hora perguntavam e o pequeno respondia ,tinha cinco anos.
Na hora da entrada no cinema ,o porteiro perguntou quantos anos tinha o menor. A minha avó disse cinco. E o pequeno fez o seguinte comentário: " ela tá mentindo, eu tenho só quatro." O porteiro barrou-os.
Foi o começo da nossa diplomacia bananeira. Treinamos cinco anos que tinhamos cinco anos. Mas na hora H, erramos .Ou falamos demais.