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Surgiu um novo blogueiro no Brasil. É o delegado Protógenes. O seu blog tem dicas de livros, informações, enfim, é um blog. Os comentários são em sua grande maioria, pró-Protó.
Agora, convenhamos, tem que ser muito macho para desancar o verbo e chamar um delegado da PF , que tacou algemas num dos caras mais ricos e poderosos do nosso pais, disso ou daquilo, não é mesmo?
Você escreve uma coisa que o homem não gosta, pode muito bem tomar um teje preso. Aliás, desde o tempo do Mariel Mariscote, é o tal negócio, ladrão é ladrão, polícia é polícia. E pelo sim , pelo não, deixa o homem cuidar dos bandidos, que eu não tenho nada a ver com isso.
Agora, você pode nem ser muito corajoso. Basta ser amigo do Gilmar.Aí, xingue à vontade. E deixe o habeas corpus no bolso, para qualquer emergência..
Contava a minha vó que eu , quando tinha uns dois anos de idade, tinha o hábito comum entre nós, de usar uma chupeta . Mas um dia ela resolveu sumir com o bico. Como eu tinha dois bonecos , um pretinho e um mulatinho, e eu os chamava de Pelé e Didi ( lembrem-se , sou da geração campeã de 58), a minha saudosa avó disse que o Pelé e o Didi não gostavam de criança com chupeta.E foi um santo remédio. Larguei aquilo que todos os pediatras dizem fazer mal para a arcada dentária. Só mesmo criança para acreditar nisso, não é mesmo ?
Bom, o máximo que os brasileiros fizeram , no aeroporto de Ezeiza, ao serem tungados pela Aerolineas Argentinas foi ficar gritando Pelé, Pelé,Pelé , só para irritar os conterrâneos do Maradona.
No tango Cambalache, Discepolo disse que quien no llora no mama, numa citação da marchinha Mamãe eu quero.
Isso é de uma infantilidade atroz. Mas define bem o nosso povo.
E claro, nossos hermanos también.
Se os nazistas queriam transformar mentiras em verdade por repetição, uma música linda, tantas vezes tocada, passa a ser um martírio. Mas um canção pavorosa, aí então vira uma tortura.
Querem um bom exemplo ? Agora que a Mariana Ximenes é a Lara, penso em outra Lara, a do Doutor Jivago. E o tema de Lara. Bom, essa música foi a maior coqueluche ( dizem que era o Laurindo de Almeida que tocou a balalaika na trilha original) , passou a ser música de casamento, batizado, churrascaria e concurso de miss. Mas ela ainda ficou pior, quando cantada por um basco chamado Luis Mariano, um tenor espalhafatoso.
Aliás, no trailer, Lara é descrita como uma mulher violenta, sensual e sensível. Algo que eu nunca achei. Nem ela, e nem a doce Mariana.
Mas a Lara Croft, com a Angie Jolie, ai chega mais perto.

Moro num prédio onde a lei do silêncio é muito relativa. Por exemplo, axé, rap ou gritos no jogo do Corinthians , tudo isso é permitido. Mas se você quiser escutar um O Sole Mio, tanto faz na versão do Mario Del Monaco como do Franco Corelli, aí já toca o interfone pedindo para abaixar.
Eu acho isso muito injusto. E além do mais, meio grosseiro com o mundo lírico.
Mas como ouvir baixo a cena final do Il tabarro , do Puccini? Ou esperar que a alvorada chegue, no Turandot ? Ou escutar baixo Parsifal, na cena que Kundry canta Ich sah das Kind?
Mas o pior. É só desligar o som e aí , ao invés de rolar o silêncio, volta a melô da Mulher Melancia ou o "louco por ti Corinthians"
A gente vai ficando com mais idade e começa a ser mais tolerante. Aquela ursada do amigo, bom, paciência. Aquele momento de nervosismo da amiga, bom ou é a TPM ou a menopausa. E o capachismo dos jornalistas, bem, isso vem de longe.
Daniel Defoe, por exemplo. O cara era o babaovo do Rei William III, vivia de tu e vós no palácio. Bom, o rei morreu e a herdeira, a Rainha Ana nem quis saber do Daniel. E por conta da sua pena afiada, eis que a prisão de Newgate teve um hóspede novo. Além disso, Defoe teve seus momentos de humilhação. Foi para o pelourinho três vezes.
Mas um ministro da rainha,o Conde de Oxford, logo sacou que o homem seria muito útil com o seu puxasaquismo. E assim, depois de um beijamão , lá foi o jornalista servir a nova corte.
Defoe, depois desse período agitado ( em seis meses saiu dos gabinetes para o presídio e voltou por cima) teve tempo de escrever os grandes romances que o consagraram. Mas no final da vida, ainda tinha lá suas dívidas. E ,fugindo dos credores, sofreu um acidente e morreu , aos setenta e um anos.
Aqui ,no Brasil, temos algumas diferenças. Os jornalistas puxam o saco do ex e do atual, sem o estágio probatório no presídio. E no final da vida, não precisam fugir dos credores.
Os bancos estatais rolam a dívida, numa boa.