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O uso do e-mail não impede, mas tira um pouco da aura literária que eram as cartas. Ninguém guarda , ou escreve, e-mails pensando em publicações futuras.
Digo isso porque acabou de sair na Inglaterra o primeiro volume da correspondência do ator Dirk Bogarde e elas são interessantes porque o ator, depois dos seus cinquenta e seis anos de idade virou escritor e depois dos seus setenta, virou crítico literário. Eu só conhecia o seu trabalho como ator ( dois filmes magistrais dele, o Criado, do Joseph Losey, baseado numa peça do Harold Pinter e o que todos acham ser o seu ponto máximo, Morte em Veneza, do Visconti , onde ele foi um magistral Aschenbach. Bogarde tinha então cinquenta anos e foi perfeito no papel.) , mas seu texto, pelo menos nas cartas que foram publicadas, é muito bom.
Interessante quando ele conta que ele presidia o Juri em Cannes 1984 e havia um certo consenso que Under the Volcano,. do John Huston iria ganhar. Inclusive Huston viajou dos Estados Unidos até a França nessa expectativa. Mas Paris ,Texas quando o coração e mente de todos e não houve qualquer dúvida. E quando alguém levantou a questão que os estúdios americanos poderiam não querer mais participar em festivais europeus ( sem contar com a falta de cortesia com Huston , alegaram ) o próprio americano no júri , Stanley Donen, disse que não se ganha Cannes com programa de milhagem...
Interessante isso de começar carreiras novas , depois de vários anos de vida. Vou pensar nisso daqui prá frente. Ah, sim, e me mudar para o sul da França, como ele.

E prometo escrever cartas ( ou e-mails) para todos vocês.
Quando eu estou de férias, ou tenho que passar na agência de banco que eu ainda tenho conta, na Alameda Barros, gosto de flanar pelas ruas Gabriel dos Santos, ou pela Albuquerque Lins. Na rua entre elas, a Rosa e Silva, eu gosto menos. É uma rua de apenas uma quadra, pois para lá do Minhocão fica se chamando Lopes de Oliveira. E prá lá da Alameda Barros, é a Brasílio Machado. Essa rua, que tem o nome do vice do Campos Sales, tem um sacolão, uma fábrica da Citizen e umas casas.
Pois um dia, o Conselho Regional dos Contabilistas resolveu construir um prédio e ele fica no número 60.Quase em frente de uma auto-escola.
Pode parecer que eu esteja vendo a rua com olhos de desprezo, mas não é bem isso que sinto pela rua. Nesta ruela havia uma espécie de vilinha, onde ficava a casa de uma professora ,a Marina, que preparava alunos para o exame de admissão para o Aplicação da Usp. Quando eu fui me inscrever nele, tomei uma porta na cara. A própria professora disse que não havia mais vaga. Quando entrei no Aplicação,percebi que todos os seus alunos eram meus colegas. Eles se conheciam e coisa típica de pré-adolescentes, excluiam os demais.
Acho que passei a ver a rua toda com apatia , com tédio. Além disso, um amiguinho de infância, que morava perto da Alameda Barros, um dia, me mostrou uma lapiseira tcheca. Dizia que com ela, as contas eram mais fáceis de serem feitas. Eu achei aquilo muito bobo, mas sempre havia quem num tolo acredita.
Meu pai comprou um Citizen no Chile e depois de uns meses, o relógio apresentou problemas. Ele levou-o na Citizen da Rosa e Silva. Claro, eles não conseguiram consertar . Diziam que o relógio chileno ( claro, era importado do Japão) tinha equipamentos diferentes.
Pois é. Eu soube hoje que no prédio do CRC , há um espaço cultural e nele um pintor naive mineiro chamado R Carvalho está com a sua exposição, com pinturas feitas em peças de demolição. No anúncio,o bairro que sempre foi Santa Cecília, vira Higienópolis. É o status típico de uma rua do engodo.
No final do mês , BB King deve lançar um disco chamado One kind favor, com blues da velha guarda . Quer dizer, da velhíssima guarda, porque são blues que o inspiraram quando o dono da guitarra Lucille era jovem.
Pois no final de setembro, é a vez de outro dinossauro lançar um disco de covers. James Taylor cantará músicas dos Temptations, Buddy Holly ,e outras feras dos anos cinquenta.
É interessante que o seu último disco ,ao vivo, One man band ( ele com o seu violão e um pianista, apenas) já é um disco de clássicos, mas da sua autoria. James Taylor sempre cantou uma ou outra música antiga, mas esse projeto de disco inteiro, só agora, com mais de quarenta anos de carreira.
O meu bom e velho micro-ondas teve uma pane e , enquanto ele está no conserto, vivemos de descongelar os congelados na base do forno e fogão. Vocês não fazem idéia do meu pânico nestes dias.
É que eu soube que uma americana da Flórida agrediu o marido com uma lasanha congelada. Uma tal Amanda arremessou a lasanha assassina e atingiu a cabeça do marido, numa discussão conjugal.
Outro dia, a Dona Denise, neste blog, me ameaçou com um rolo de macarrão. Eu fiquei tranquilo, pois sei que não existe esse instrumento na nossa cozinha. A pasta vem na caixinha ou está no freezer. E aí é que ,agora, mora o perigo.
No episódio americano, o marido também foi preso e os filhos ficaram guardados pelos vizinhos , por determinação judicial.
Pois é, dizem que em briga de marido e mulher, os vizinhos não devem meter a colher, mas neste caso, sobrou para eles.
O pior é que quando a gente sofre uma batida, os médicos recomendam colocar gelo no lugar. O cara leva uma lasanha congelada na testa e ainda tem que abrir o freezer para pegar gelo ? É cruel , muito cruel.
Ai, eu prometo me comportar.
Até o micro-ondas voltar, pelo menos.
No livro Tieta, quando o prefeito apóia a multinacional, é chamado , pelos gringos de estadista.Jacqueline Mirna , uma francesinha com mais rotacismos (carrrrrregando nos errrrres) que o Mantega, dizia que o brrrrasileirrrro é muito bonzinho.
O Financial Times chamou o Celso Amorim de estadista.
Se o Celso fosse o chanceler de um governo qualquer, e o PT fosse oposição , esse elogio do FT seria visto como algo entre o entreguismo e a falta de patriotismo.
E pensar que outro Celso,também chanceler, só porque tirou os sapatos num aeroporto , foi chamado de submisso....