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Dizem que o menino é o pai do homem. Realmente, neste momento da minha vida, onde sou pai e , nesta terra , não tenho mais pai, resta-me a lembrança, apenas.
E eu, que recordo-me sempre do ano de 1972, onde o menino que fui está dentro de mim, sempre, penso na trilha sonora que me acompanhou, deste aquele ano maravilhoso.
E penso no cantor Isaac Hayes.
Hoje, dia de bacalhoada, de receber um presente luxuoso do Julinho ( a biografia do Antônio Vieira, em dois volumes, um livro que sempre quis ler) , de vinho alentejano , de pensar nos pais que brincam com seus filhos pequenos, que surfam, que andam de bicicleta, que assistem dvds , que jogam bola, enfim, os pais que são pais , com seus filhos, resolvi ligar o computador e ler as notícias.
E deu no New York Times que Hayes, o músico que acompanhou Otis Redding, que compôs a trilha do blaxpotation Shaft, que foi locutor de desenho, que faliu, que virou cientologista, que sempre foi um grande arranjador, pois é, babau.
E aí, volta e meia, me vem o ano de 1972. Pois o disco Black Moses, com canções de Burt Baccharach e uma maravilha chamada Never Gonna Say Goodbye, uma versão adulta da canção que tinha feito muito sucesso com os Jackson 5, foi o ano que mereceu o Grammy, algo muito merecido.
Olha, o domingo tem sempre seu final melancólico, e a morte de Hayes poderia até complicar o astral.
Mas não, o menino é o pai do homem.
E assim, o menino que fui se associa a meu pai e Isaac Hayes vai pro céu, onde o meu pai, certamente, olha pelo menino que sempre serei.