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Bom, se a guerra fria ou ao menos os anos Reagan querem fazer um revival, vamos curtir a Madonna,que hoje ficou cinquentona , como eu.
Segunda-feira estamos aí. Firmes e fortes.
Como a gatona da meia-idade aí da foto.
Beijo.
Nos dois dias que fiquei ausente do blog e do meu escritório, pasei na Poli.
Na terça, bebendo com o Reinaldo ( com ele posso falar abertamente e citar o seu nome ) ele me disse que para ele e também para muitos , a Poli foi uma libertação. Talvez por ele ter vindo do Dante.
Pois para mim, a Poli foi algo próximo ao Vietnam. Eu , que passei o meu primário numa escola opressiva, um Congo Belga, quando entrei no Aplicação, senti esse processo libertatório. Mas ao entrar na Poli, o perdi.Não que a Poli tenha sido algo terrivelmente ditatorial. Aliás, uma escola deve ensinar; no caso de um curso de engenharia, a formação conduz a uma habilitação. Mas quando se é jovem, espera-se muito de uma faculdade. Fico feliz que ela tenha servido como libertária para alguns de mues colegas e amigos.
Eu diria que minha vida foi meio americanizada. Meu primário foi babaca como os anos Eisenhower, com direito ao macartismo das freiras vicentinas. Meu ginásio e colégio, algo como um woodstock. E a Poli, uma ida ao Vietnam, repito.
Continuo com a frase do filme Apocalipse Now ( aliás esta frase é do Heart of Darkness , do Conrad) na cabeça; eu não discordo dos métodos da Poli. Eu não vejo método nenhum, naquele show de horrores e sadismo. Deixar um aluno , por conta de um décimo, de recuperação, muitas vezes fazê-lo perder semestres, é algo que não entra na minha cabeça.
De mais a mais, fui na quinta almoçar com o Julio. Ele disse que o restaurante da FEA era caro e na Poli a comida era melhor. Há um restaurante moderno na Civil ( lembrei-me dos hamburgueres bem- passados do tempo do Almeida). Almoçando com ele, veio à minha memória um colega chamado Meiches, que almoçava com o pai, que foi professor . Aliás, sempre houve muito disso na Poli, pais e filhos.
A Poli hoje tem muitos prédios novos. novamente me ocorre um retorno ao Vietnam, quando um ex-combatente vê novos prédios e tenta se lembrar das coisas mais antigas.
Talvez, minha frustração não se deve à escola. Na vida erra-se e quando temos sorte, recomeçamos e acertamos. Ou , na melhor das hipóteses, pessimista que sou, dos nossos erros não obtemos coisas terríveis.
Dia dez de julho, dia do engenheiro de minas, é a data de aniversário do Proust. Ele me fez ainda mais recuperador de um tempo perdido. Voltar à Poli, nesses dois dias, não me fez recuperar os cinco anos que lá passei.
Gostaria de me libertar desse pensamento ruim que a Poli me causa. Mas talvez isso não seja assim tão fácil.
De qualquer forma, se para alguém a Poli abriu cadeados, que bom, viva a libertação, seja lá como ela tenha sido obtida.
Aos noventa e quatro anos, o lendário Caymmi nos deixou.
Dizia Bertrand Russell que o pior da velhice é a falta de contemporâneos. Pois o baiano era o último dos moicanos.
De uma geração brilhante, comparável a Ary, Caymmi era o lado ensolarado do Brasil, assim como Lupe era a noite do nosso país. Com seu violão e voz, criou para Carmen Miranda , e para todos nós brasileiros, uma Bahia mítica, uma São Salvador encantada, um samba adocicado.
São muitas as canções e o songbook do Chediak tem quatro cds. Gal, a nossa Ella, cantou -o num disco simples, mas seu repertório sempre trazia novas versões.
Outro dia falei para a Dona Denise que achava o João Gilberto um dos três maiores brasileiros e ele não poderia ser grande sem Caymmi. A sua versão ( junto com Caetano e Gil) de "era só jogar a rede no mar" é algo mágico.
Caymmi , junto com Jorge Amado, com a culinária e Glauber, fazem-nos barrocos, ainda. Mas um barroco ensolarado.
Axé e saravá, Dorival.
Bom, quem acompanha o meu blog, e no dia 21 agora, na quinta, comemoraremos no Bar Veloso, atrás da caixa d'água da Vila Mariana o seu segundo ano, sabe que não escrevo aos sábados. Mas como fiquei sem atualizá-lo dois dias, fiquei com assuntos em débito.
Assim, escreverei três posts, para quebrar a monotonia.
Existe uma lei eleitoral e eu não sei se um blog assim, tão obscuro como o meu, pode ou não falar dos candidatos. Pode ser que não possa. Mas pode ser que sim. E eu, como sempre, não sei.
De qualquer forma, acho que os meus leitores são inteligentes demais para mudarem o seu voto por minha causa...
Mas se querem saber a minha opinião, por incrível que pareça, na eleição paulistana, o grande vitorioso será o José Serra.
Sabem o porquê ? Vamos lá. Ficou claro que para a o Alckmin decolar, ele vai precisar do Serra. Aliás, a duplinha Aécio e Geraldo precisa mostrar mais a que veio. Bem, voltando, dever favor a um padrinho como o Serra , é algo que sai muito caro.
Mas se der a Marta, Serra ganha também. Ele passa a mensagem óbvia, mas fica com recibo e tudo, que o Alckmin é um desastrado, um divisor de partido e que terá , no máximo, o governo do estado , se se comportar bem. Mas o melhor mesmo para o Serra , com a eventual vitória da Marta, será a transferência da divisão partidária para o PT.
Pois Marta irá, depois de eleita, com tudo para a campanha presidencial. E ela e a Dilma farão aquela brilhante briga de puxar cabelo, unhas e tapas. Serra fica com o DEM e com o tucanato unificado. E as brigas foram para o outro lado.
Interessante analisar as pesquisas no Rio e BH. Crivela se afirma, num salto para o inorgânico, digamos assim, e a tal Jô, do PC do B, manda bem na capital mineira. Com Aldo na vice da Marta, teremos uma situação interessante de um partido minúsculo, sempre fisiológico ( à esquerda) , sem quadros, servindo de locomotiva, com o PT de vagão.
Mas claro, as eleições são só em outubro. Muita coisa pode mudar.
Mas talvez não seja muita coisa assim.