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Agora a moda é sabatina. Pois a Soninha, candidata à prefeitura de São Paulo, disse que não sabe em quem votará , se não passar pro segundo turno.
Pois eu não sei nem em quem votar no primeiro !
Ela disse que se não passar na primeira fase, irá viajar para Fernando de Noronha.
Depois reclama que o pessoal só fala que ela fuma maconha...
Se não chover, viajo. Mas se chover, fico meditando as soluções para a minha cidade, pro país e pro mundo.
Gostaram da cara de rebelde da menina ? Tchau!
Ut pictura poesis, erit quae, si propius stes
te capiat magis, et quaedam,si longis abstes;
haec amat obscurum uolet haec sub luceri uederi
iudicis argutum quae non formidat acumen;
haec placuit semel , haec deciens repetita placebit
Poemas são pinturas, alguns lindos, perto
Outros à distância , o prazer certo.
Uns amam o escuro , outros o forte clarão
Que desafia no crítico a visão.
Há os que são deleite , única vez, apenas
Há outros ,renovados, vezes vistos,dezenas.
O poema é do Horácio, está na Ars Poetica. E a tradução ,ai de nós, é do blogueiro.
Tinha eu uns treze anos de idade quando um amigo meu, o Feitosa, mudou-se. Ele morava uns dois ou três quarteirões, na rua Gabriel dos Santos, da minha casa. Foi com a sua família para a rua Ayrosa Galvão, perto do Palmeiras. Mas com o vigor das pernas e o tempo ocioso dos treze anos, vinte quadras não são nada; dava para ir a pé, numa boa.
A mudança foi boa em muitos sentidos. Primeiro, a rua na Água Branca era muito calma, dava para jogar bola, ou taco,tranquilamente , Depois a casa nova dele possuia uma edícula , ficava fora da casa principal. E os meninos da nossa idade gostavam de fumar, escondidos dos pais. Dava para ouvir música mais alto.Dava para ver revistas de mulher pelada.
Mas para mim havia ainda outra vantagem. Era muito perto da rua Tanabi, onde morava uma coleguinha minha de ginásio, moreninha, que eu achava o máximo. Aliás, era uma morenona, porque já tinha aquele jeitão de moça, enquanto eu era um pirralho.
Bom, o Feitosa colocaria um disco do The Who, ao vivo em Leeds. Ele colocou o lado 2 do vinil. My Generation, ele disse. Como eu não era chegado em cigarro, aproveitei que ele acendia um Hilton ou Shelton ou Carlton e falei que tinha que dar um pulinho na casa da menina ,na rua Tanabi. Pois apertei a campainha da casa dela e , por sorte, ai da minha timidez, ninguém atendeu. Quando voltei, qual não foi a minha surpresa, ainda tocava a música My Generation. Feitosa me explicou que era uma faixa com mais de quinze minutos , algo muito esquisito numa época que as músicas duravam três minutos, no máximo.
No outro lado do disco, eu gostei da segunda faixa, Substitute. Mesmo com o meu inglês claudicante da época, deu para entender, pelo menos teoricamente, o que era ser trocado por outro cara. E logo em seguida, vinha uma pauleira do Eddie Cochran, Summertime Blues. Aliás, essa canção é uma das preferidas do meu amigo João Augusto, que também conhece o Feitosa.
Bem, a vida voa. Faz anos que não vejo o Feitosa, parece que ele está morando na Bahia, não tenho certeza. E a moça da Tanabi, se passar por mim, nunca irá me reconhecer, se é que me reconhecia naquele tempo.
Só sei que em 2002 ou 2003, saiu um cd duplo Live at Leeds, com esse disco e mais músicas bonus no cd 1 e todo o Tommy no cd 2. Comprei o disco, escutei-o com atenção, achei legal, mas nada tanto assim. E, na mesma semana, num domingo pela manhã, vendo uns vinis antigos numa feirinha do Shopping Paulista , encontrei o LP de 1971. Acabei comprando a quinquilharia.
Pois ao ouvir o disco em vinil , pude me lembrar desta tarde na casa do Feitosa. E mais, lembrei-me também que encontrei a moça , naquele verão distante, no clube, com um sujeito bem mais velho. Eu estava bebendo uma soda ( o Palmeiras não vendia coca, só produtos da Antartica) no bar da piscina quando reparei neles , meio que rindo de mim. O carinha dizia que ele gostava de gin soda ou gin tônica e eu me senti um moleque ainda mais pirralho. Claro, era mentira , era a maior onda, mas a gente acredita. Afinal, era um me for him, my coke ( ou soda) for gin; eu senti um autêntico blues de verão.
Todas essas lembranças só estavam no vinil , não estavam no cd remasterizado , na edição deluxe.
Acho que agora eu já sei porque a guitarra do Hendrix vale tanto.
É uma madeleine proustiana.
Sim,há muito Proust no rock, num disco ao vivo do The Who.

No Bar do Gabi, na Barra Funda, havia um enorme quadro pintado sobre os azulejos com motivos paulistanos. Era muito feio, mas fazia lá o seu sucesso. Um dia, um bêbado começou a elogiá-lo. E disse que ver aquela obra de arte era cem vezes melhor que ver um filme do Mazzaroppi.
Eu era pequeno e não entendia como ele chegou àquele cem vezes melhor.
Pois hoje eu vejo que uma guitarrra queimada do Hendrix foi vendida num leilão por um milhão de reais. Já um quadro do Ticiano custa uns dento e cinquenta milhões, cento e cinquenta vezes mais, portanto.
No Louvre, na sala onde fica a Mona Lisa, há alguns Ticianos, muito melhores, mas ninguém presta atenção neles.
Onde eu quero chegar? É que perdemos a noção das coisas. Como pode um quadro de um dos maiores pintores de todos os tempos, um criador da arte da pintura a óleo, o talvez maior colorista de todos os tempos valer apenas 150 vezes uma guitarra detonada?
Gosto de Hendrix, escuto sempre, acho sua arte genial, mas isso de colecionar guitarras queimadas , já é demais. Já é uma prova cabal que as pessoas estão se tornando eternas adolescentes.
Excuse me, posso até beijar o céu, mas acho que esse mundo dos leilões é coisa de pirado.
A Igreja Católica sempre deu muita importância aos casamentos, principalmente no Brasil. É famosa a carta do Padre Manoel da Nóbrega que pedia à corte portuguesa mandar mulheres para o Brasil. "Sejam elas solteiras ou viúvas, ou mesmo de vida errada". Os jesuitas consideravam as índias muito ingênuas, quase crianças e os portugueses se aproveitavam delas. Daí veio a famosa frase ultra aequinoctialem non peccatur, ou nos saracoteio do Ney Matogrosso, não existe pecado do lado de baixo do Equador...
Mas pelo visto, isso faz muito tempo. Pois a justiça mineira condenou a Igreja Católica a pagar 2000 reais a um casal que teve um casamento muito malfeito. O padre estava com pressa, tirou a batina antes do fim, nem deu a benção, foi o maior baixo astral.
Antigamente, eram os noivos que tinham pressa do casamento acabar logo, mas pelo visto, o padre queria chegar logo na sua casa para tomar uma cervejinha e ver a novela.
Mas pela indignação dos noivos, aconteceu alguma coisa que não sabemos. O noivo deve ter ficado tão nervoso que não conseguiu nada, depois Ou a noiva ficou com dor de cabeça e o clima pesou.
O que diria o Padre Manoel da Nóbrega num caso desses ?