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A Câmara americana aprovou o pacote, mas os tempos serão duros.
What news on Rialto ? É assim que o Terceiro Ato do Mercador de Veneza abre.. com essa fala de Solario. As notícias não eram das melhores para o ricaço Antônio .
Mas hoje é sexta e um bacaninha está , agora, em Rialto . Diz ele que pensa em mim.
Bom fim de semana para ele , para todos, no Vêneto e no Brasil.
Eu ia falar em quem votar, mas não me decidi ainda.
Deve ser bom ver o por do sol às margens do Adriático e pensar no pai.
Mille baci .
Ontem, quando soube da morte surpreendente do engenheiro Diogo Furuya, pensei em Lucrécio e seu poema mais famoso Da rerum natura.
Diogo , um engenheiro de minas que amava a profissão , o minério onde quer que ele esteja, morreu no interior da Bahia, num sertão tão imenso que mais parece um mar. Uma crise de pancreatide , coisa que dizem e pelo visto é, fatal , instantânea , nos levou o Diogão. Um pacato, gordo, palmeirense , com uma mecha de cabelo branco frontal , que nunca deve ter lido uma estrofe de poesia latina, mas ao pensar nele , surge
Suave, mare magno turbantibus aequora ventis
e terra magnum alterius spectare laborem
É doce quando no mar os ventos levantam ondas
e vemos da terra os perigos que outros se expõem.
Nesse epicurismo, nesta distância da preocupação, penso no meu colega de turma.
Italo Calvino dizia que a poesia é feita da poeira inantigível das palavras; a vida ,esse hoje aqui, amanhã não mais, só se justifica com certo epicurismo.
Não devia haver mortes de amigos. Mas elas existem para que vejamos, na terra firme, que outros se afogam .
E um dia, será o nosso próprio naufrágio.
Diogo, rerum natura , a natureza das coisas. Você já sabe , você é hoje um mineral . Coisa que todos nós ,um dia , seremos.
Amém.
Melhor que andar de bicileta num fi mde tarde com a Juliana Paes é o seu time ter um jogador que faz um gol de bicicleta , certo ?
Bem, depende. Vejam a cena no www.youtube.com/watch?v=CsPvskCC-pY
Cancela o passeio com ela, por favor.
Os semáforos de São Paulo são espetáculos tristes de malabaristas infantis, pedintes idosos , vendedores de panos, mapas e balas.
Mas a essa trupe acrescenta-se agora um candidato a prefeito que já foi candidato , em segundo turno, ao cargo mais alto do Poder Executivo do seu país, após ter sido um governador reeleito do estado mais importante da federação.
Isso mesmo. O Doutor Geraldo se presta à humilhante posição de ficar, ele mesmo , em cruzamentos de avenidas , partindo para o corpo-a-corpo, para o aceno simpático, para o aperto de mão.
Ele pode até culpar o partido, mas esse mico tem todo o jeito de ser criação própria.

Prá tudo tem remédio. Há a saida Rodolfo II.O imperador do Sacro Império Romano ( segundo Voltaire nem sacro, nem império,nem romano) , quando a coisa apertava, se trancava com magos e gurus, em altas discussões esotéricas , deixando os ministros se virarem.
Então, é só chamar o Paulo Coelho, o Robério de Ogum e o Frei Beto.
Rodolfo tinha ataques de melancolia, coisa que o nosso imperador não tem. O Rudi tinha uma coleção de anões, o nosso Luis também, basta ver o rebaixamento dos aliados e mesmo oposicionistas.
O imperador é o patrono da alquimia. Pois o nosso guia também sabe transformar crise em altos índices de popularidade.
No caldeirão, entra na poção muito pac, pré-sal, biodiesel, altas doses de bolsa família , crediários longos e palanques de inaugurações com pedras primeiras e mais nada. Ah, sim, promessas de duplicações e erradicações , nunca antes vistas.
E quem era bruxa virou fada , para ficar mexendo o sopão.