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Passei o dia inteiro sem internet e quando voltou a rede, leio que a minha única professora formal ( pois tive uma tia que também me ajudou um pouco) de francês, Carmen Sylvia Guedes, a Madame Guedes, morreu neste sábado, aos oitenta e um anos.
Muito alta, fumante exagerada, com humor e firmeza, conquistou todos ( sem exceção ) alunos que teve.
Nós , do Aplicação, éramos levados a acreditar que a França seria ( e talvez ainda seja ) a nossa segunda pátria. Portanto, nada mais natural que aprender a língua francesa . E tivemos uma professora não só do idioma, mas do espírito do savoir vivre.
Primeiro, confesso que com seu curso ginasial, pude ler todo Balzac e todo o Proust e só isso já me faria totalmente em débito com ela. Mas não foi só isso. Ela morava na rua Rio Grande, perto da minha casa. No comecinho dos anos 2000 , passei por uma enorme dificuldade financeira e posso contar para vocês que são amigos, feliz era o dia que podia pegar um ônibus no fim do dia. Eu não tinha nem dinheiro para isso, pois tudo que recebia era investido na educação do Petit Jules,. Mas tudo bem, passou, está ótimo agora.
Pois foi num ônibus Jardim Miriam-Vila Gomes que eu reencontrei a Madame. E fui falar com ela. Sentia-me um pouco diminuido por estar num ônibus, essas bobagens pequeno-burguesas , mas era uma oportunidade, e eu não iria perdê-la. Ela com a franqueza de sempre disse que não se lembrava de mim . Completou que os alunos terríveis ou os geniais são os inesquecíveis. Ela logo percebeu que tinha me achado um medíocre e isso havia me diminuido. Corrigiu-se com uma gargalhada. E depois, logo em seguida, disse que só pelo fato de eu ter tido a educação de falar com uma velha senhora, já me fazia uma pessoa inesquecível, dali em diante das nossas vidas.
Ela desceu no número 431 e apontou a casa. Falou para visitá-la. Depois a reencontrei, ela se mudara para um prédio bem em frente.Falei do meu projeto de traduzir Proust. Ela riu e disse que não queria estar nessa terra na hora que a crítica caisse de pau e quisesse saber quem tinha sido a professora daquele tradutor...
Toda vez que vou a Paris me surpreendo com a educação dos parisienses com as senhoras. Várias vezes vejo rapazes carregando malas e pacotes , segurando portas , dando licença para senhoras nas ruas , apenas dizendo : "madame".
A Madame Guedes dizia que nunca deveríamos dizer Madãme e sim Madáme e é assim que os cavalheiros ainda fazem na Cidade Luz.
E eu, ao ouvir esse madame , a ler e conversar e sonhar e viver na lingua que com ela aprendi , penso que ela foi mesmo uma grande professora,pois até um sujeito longe da genialidade ( ou de ser um enfant terrible, né Madame? ) pode sonhar ( e quem sabe realizar ) uma tradução comme il faut do Recherche.
Au revoir, Madame Guedes.
E os erros que farei no meu Em Busca do Tempo Perdido são minha culpa, nunca da inesquecível Carmen Sylvia Guedes.

Nessa eleição agora, eu não vou dar vexame. Mas de acordo com vários biógrafos de John Lennon, quando Nixon foi re-eleito, contra George Mc Govern ( um senador, no mínimo dez vezes melhor que o Obama) , ele pirou. E começou a tomar todas e catar todas.
Então, se eu chegar calibrado e com mancha de batom lá pelas três da manhã em casa, é por conta da vitória do McCain, em novembro.
Mas acho que dá Obama, e aí eu volto a ser o bom menino de sempre;

Cá entre nós, o Geraldo , aquele doutor tão sério e responsável, deve ter sido sequestrado ( sem trema ) e algum sósia entrou no seu lugar.
Só pode ser isso.
Ou entrou ar no pastel.
É um luxo ter um blog que chegou a incrível marca dos 200 mil acessos. Parece coisa do Faustão!
Obrigado, meus amigos. Pelos duzentos mil cliques que o blog obteve.
Obrigado, mesmo.
Só agora a rede voltou. Fiquei o dia todo sem internet. Parece que a bolsa caiu. Chove o dia todo. Minha única professora de francês morreu, aos oitenta e um anos.
Bem, amanhã eu falo sobre algumas coisas.
É isso aí .