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Bookends é o nome de uma canção da dupla Simon & Garfunkel. Para quem não sabe o significado da palavra, bem, é aquele peso que apoia livros nas estantes, mas também pode ser visto, metaforicamente, como uma ponta terminal, antes de nova sequência de livros ou fatos.
Em 1970, a dupla lançou um disco perfeito chamado Bridge over troubled water , com canções antológicas como Cecilia, Why don't you write me a letter, Bye,bye love ( dos eternos Everly Bros), El condor pasa , America,the only living boy in New York e , claro, a canção título que é um clássico do cancioneiro americano.
Depois disso, além de um concerto em homenagem ao candidato democrata Mc Govern ( um Obama melhorado) em 1972 e uma canção chamada My little town que apareceu nos discos solos dos dois, eles não se juntaram mais.
Foi espantoso o show que eles deram ,no Central Park, em 1981, que virou um disco duplo. As músicas foram muito bem escolhidas ( há canções dos discos solo do Simon, cantadas pelos dois, além do Wake up litle Suzie dos Everlys).
Mas o mais importante, é que eles representaram, naquele show ( que virou especial de tevê) o fim de uma era, os fantásticos anos 60 e 70, onde o bom gosto , a afinação e a simplicidade deles eram as coisas melhores do período.
Raro é aquele que desgosta desse disco. Já o vi na casa de gente bem careta , e também na casa de gente maluca de pedra.
A impressão que tenho, visto depois de mais de vinte e cinco anos foi que ,para a geração dos nascidos entre 55 e 65, este concerto foi muito mais importante , para quem ama Nova York do que West Side Story ou mesmo os desenhos do Manda-Chuva, ou ainda os filmes do Scorsese.
Assim, além dos filmes do Woody Allen, este concerto deu-nos uma vontade feladaputa de morar na Big Apple.
Aliás, eu acho que se o Bin Laden tivesse ouvido este disco , não teria feito vinte anos depois o que fez com a cidade.
O disco tem uma canção que eu gosto muito chamada April comes she will. Abril, para mim, não é eliotiano, não é o mês cruel. Mas sim o mês que me deu muitas coisas boas: um filho, um encontro, várias pessoas boas que nasceram entre áries e touro.
E além disso, penso em me e Julio down by the schoolyard, onde a letra permite imaginar muita coisa ( o próprio Simon disse que não tem muita certeza do que ele quis dizer com ela) , inclusive uma prisão causada por revoltas políticas contra a guerra ou outra transgressão.
Tenho saudades do parque, de lá ou de aqui,tanto faz.
Desde que o Julio estivesse a meu lado.


Aí estão as maiores autoridades européias, procurando uma solução para a crise econômica.
Uma hora eles acham
www.youtube.com/watch?v=BGPcSd7DDLk
Um professor da GV acha que o jeito é deixar o dólar chegar aos três reais, que aí seria o seu ponto de equilíbrio. E quando questionado sobre a inflação, ele diz que não vai ter jeito.
Nessas horas eu me lembro da cena do Annie Hall , quando Woody Allen vai conhecer a família da namorada e o irmão dela o chama para confessar que sempre teve tendências suicidas. Que sonhava estar dirigindo na chuva e jogar o carro sob um caminhão.
A cara do Woody Allen é mais ou menos a mesma que a minha, em relação ao ano de 2009...
Não custa nada sonhar. Marta já pensa no seu futuro. Quer sair senadora em 2010 e quer que o senador atual seja o candidato ao governo do estado, para se perder saber o quanto é ruim dormir no relento.
E enquanto espera , mandou uma fatura meio salgada ao presidente Lula. Não quer ministério nenhum. Quer ser embaixadora. E já escolheu a cidade.
Aquela que eu vivo suspirando, às margens do Sena.
Lula mandou o Celsinho Quitandeiro conversar com ela, para que ela escolhesse outro lugar , não tão assim circuito Helena Rubinstein. Mas ela quer porque quer.
(A Dona Denise acha que eu falo muito em mensagem cifrada ; Celsinho Quitandeiro é o apelido do Senhor Amorim. Ele , nos tempos jovens, usava um bigode de português da quitanda, e é assim que é chamado até hoje pela velha guarda do Serpentário).
Não pensem vocês que é só Pirandello, Sciascia ou Lampedusa; os sicilianos escrevem bem desde Evêmeros, na época de Alexandre Magno . Seu livro mais famoso é Histórias Sagradas. Nele, um viajante chega numa ilha e encontra uma sociedade muito avançada, onde todos tem a mesma quantidade de terra e gado, ninguém é mais rico que outro e vivem em harmonia. Se bem que existem os sacerdotes e eles ganham o dobro, porque guardam os segredos da sabedoria humana, num templo dourado.
Mas aos poucos, as pessoas começam a desconfiar que os sacerdotes são meio que safados. Mas quando questionados, alegam que lutaram contra monstros ditatoriais, que sofreram torturas e só querem o bem do povo. Um menino então começa a vasculhar uns baús dentro do templo e descobre que os deuses da mitologia eram apenas antigos reis. Seres humanos. Vênus não passava de uma puta véia, uma cafetina. Júpiter um encrenqueiro e assim por diante. A partir daí veio uma confusão danada e a ilha nunca mais foi a mesma.
O gozado é que o livro foi usado pelos primeiros cristãos como prova que a mitologia era bobagem, que só havia um Deus. Mas depois, a própria Igreja Católica ficou desconfiada , e mandou destruir o livro. Afinal, ela bem que poderia ser associada com os sacerdotes ricos do templo de ouro.
Aqui, os companheiros não querem saber de evêmeros nenhum. E não vão querer deixar seus cargos. O poder , na democracia,sabemos, é efêmero.
Mas as boquinhas , como fazê-las eternas ?