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O meu saudoso amigo Henri Aboutboul sempre dizia que" o brasileiro é um sujeito sem memória. Ouvi isso não sei aonde..."
Pois uma pesquisa revelou que um terço dos cariocas não se lembra em quem votou para vereador nas eleições de outubro.
Isso mesmo, faz apenas dois meses e deu um branco total na cuca .
O Sarkozy não é um sujeito culto (bom , há colegas seus piores) e tem alguma bronca de sujeitos cultos. Mas ele está propondo uma nova mentalidade nos concursos públicos. Há a famosa relação de cultura geral com questões mais próximas a gincanas que às funções exigidas pelos candidatos.
Por exemplo, no ano passado, para policial, a Academia perguntou o ano da fundação do Estado de Israel, o nome do escultor da Estátua da Liberdade,o nome do poeta de Les Fleurs du Mal, conjugações de verbos no subjuntivo, nome de quatro deuses egípcios e definição do personagem Harpagon do Moliere !
Sarkozy reclama, dizendo que uma recepcionista pública deve saber informar o cidadão e não conversar sobre La Princesse de Clèves, um romance do século 17 e que esse tipo de perguntas só afugentam e afastam gente mais humilde e filhos de imigrantes.
Tem lá a sua razão. Mas como tudo na França cai em mesa redonda, o próprio Le Figaro, um jornal pró Sarkô , diz que ele está abrindo um perigoso precedente para a desculturização.
Bom , isso me faz lembrar a minha mãe. Eu era pequeno e um guardinha de trânsito, ou um policial , não me lembro, veio dar uma bronca , sei lá o motivo. Só sei que ele se expressou de maneira equivocada na conjugação do verbo, ou na regência, sei lá.
E ela disse com firmeza : o senhor aprenda a falar português , antes de se dirigir a mim.
Foi algo assim. Mal poderíamos prever que a nossa cultura,dali em diante, fosse tão cuesta abajo...
O IBGE divulgou uma pesquisa que conclui que de quatro casamentos feitos no Brasil, há um divórcio.
Menos mal, eu pensava que eram quatro caamentos e um funeral...
Uma vez eu viajava sei lá para onde e coube o privilégio de sentar-me ao lado do Senador Teotônio Vilela, tido e havido como homem sério , altivo e independente.
Era um vôo pela manhã e a aeromoça veio com suco de laranja e cafezinho. O Senador perguntou se não tinha uma das nossas . A garota sorriu e trouxe para ele uma dose de pinga. Para mim também, mas eu não aceitei,porque achava o horário inadequado. Aliás, não gosto de beber voando.
Ontem , numa reunião com o presidente, o governador Teotônio Vilela, filho do senador, puxou tanto o saco do Lula que até ele reclamou e o próprio Aécio deu um toque que já era muito excessivo aquela onda de elogios.
Acho que o Senador deve estar tomando muitas das nossas , la no céu, de desgosto, pela postura do filho.
Na peça Major Barbara do Bernard Shaw, uma filha de um fabricante de armas se revolta com o pai e resolve ser voluntária do Exército da Salvação.O pai, com um cinismo irônico, nos convence que se não fosse ele, seria um outro.
Portanto, longe de mim ser um pacifista odara bicho grilo, mas...
Que hora infeliz que o Brasil escolheu de vender armas para o Paquistão, não é mesmo ?