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Eu não acredito em signos do zodiaco, mas penso em todos os taurinos que conheço e , de algum modo, admiro a possibilidade deles de atingir alguns resultados. Eles fazem algum possível. Não fazem tudo, mas chegam a algum lugar. Já é alguma coisa.
Às vezes somos muito Monty Pithon, no filme a Vida de Brian. Quando os romanos fizeram na Palestina os aquedutos , os esgotos, os correios , as estradas e a paz, sempre achamos que eles deixaram muita coisa a ser feita...
Tony Blair fez muita coisa pela Inglaterra ( inclusive a paz entre irlandeses e ingleses) , mas o pessoal só o critica pelo apoio ao Bush na Guerra do Iraque ( aliás, quase todos os senadores democratas americanos compartilhavam do mesmo ponto de vista do Blair....)
Tony curte uma espécie de exílio nos Estados Unidos e é o capitão do tal Quarteto ( EUA, ONU, Comunidade Européia e Rússia) e sabe um pouquinho mais que muito sujeito da turma do amendoim. Ele pensa que não é tendo vontade que se chega numa estrada, mas tendo uma estrada é que se chega na vontade . Ou seja, se não houver condições de conversa, fica papo de monólogos.
Blair entrou como Obama , foi uma coisa assim, fever. Acabou sendo xingado de lulu do Bush. Muitos dizem que foi realpolitik, mas não acredito. Aliás, mesmo os senadores democratas americanos, na época, tiveram uma visão muito próxima ao do primeiro-ministro inglês.
Talvez as coisas difíceis precisam ser feitas de modo lento. O carro de boi demora, mas chega. Paz não se faz só com canções do John Lennon e pombas do Picasso. E nisso, os "pouco-criativos" taurinos são imbatíveis. Eles não fazem Roma em um dia. Mas fazem uma cidade, em muitos anos.
No momento que ele é o capitão do Quarteto ,repito, talvez fosse melhor deixá-lo executar o seu plano. Agora, se é para ser sonhador , sonhar que virá um pégaso branco e nos levará ao reino encantado , ou então fazer um amplo debate com todas as partes e não-partes, aí fica difícil mesmo...
A gente sempre paga caro por ser preconceituoso. Quem conhece La Bohème do Puccini põe o dedo aqui. Essa é fácil. E que conhece I pagliacci do Leoncavallo? Também, sem problema. Mas já La bohème do autor do ride pagliaccio, aí é mais de literatura, de ouvi dizer, dizem que, e chega-se, desse modo a pensar que a segunda ópera é inferior, malfeita, coisa de esquisitos.
Ledo engano. A ópera ,claro , não é melhor, mas merece uma boa escutada, porque tem árias lindíssimas, tem uma orquestração até mais leve e permite conhecermos melhor as outras pessoas , além do Rodolfo e da MImi . Aliás, este sempre foi a maior crítica, pois não só Mimi, mas também Rodolfo somem e só pintam no final. É uma ópera para Museta, que sempre foi mais prática e mais interessante que a sua amiguinha da mão gelada.
Há uma gravação em cd do selo Orfeo , muito boa, que saiu na década de oitenta e só agora eu escutei.
Repito, Puccini é show de ópera, mas a coitada da sua xará não merecia o ostracismo.
Primero de enero
Las puertas del año se abren
como las de lenguaje /hacia lo desconocido
anoche me dijiste: mañana
habrá que trazar unos signos
dibujar una paisaje ,tecer una trama
sobre la double página del papel y del dia
Mañana habrá que inventar ,de nuevo,
la realidad de este mundo.
January First
The year's doors open like those of language
toward the unknown.
Last night you told me: tomorrow
We shall have to think up signs.
sketch a landscape , fabricate a plan
on the double page of day and paper.
Tomorrow, we shal have to invent,
once more,
the reality of this world.
Primeiro de janeiro
As portas do ano se abrem,
como as da linguagem,
pelo desconhecido. Ontem à noite você me disse:
amanhã teremos que pensar em sinais,
desenhar uma paisagem , tecer um plano,
para uma página dupla,
de papel , do dia.
Amanhã teremos que inventar,
de novo,
a realidade deste mundo.
( Assim começa o belo poema do Octavio Paz, que a Elizabeth Bishop traduziu para o inglês e eu, que gosto muito de andar em boa companhia, convidei -me para fazer parte da festa).
Talvez eu esteja influenciado pelos artigos do livro do Ruy Castro, ou ainda chocado quando vejo que moças de fino trato ficam de quatro para levar tapas no bumbum como se fossem cachorras de funk. Mas onde está a finesse de antigamente?
No xadrez do futurismo, duas notas: primeiro, Aécio mandou um recado para o presidente, sobre a sua última ideia. Sairia ele na cabeça e a mãe do PAC de vice. Lula passou batido, numa prova que não tem a ojeriza ao Serra que o resto do PT tem. Aécio colocou a ideia no freezer.
Já para o Palácio dos Bandeirantes a companheirada considera o nome do Palocci como o mais quente na chapa da sucessão. O Supremo vai dar o sinal verde, acham os mais otimistas.
Até porque o Estado de São Paulo não tem mais banco. Assim, ficam os sigilos da Nossa Caixa devidamente guardados...