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Pois é, o Tim Maia tornou os Reis Magos ( que talvez fossem magi, da Pérsia) , em Santos Reis, mas o quadro do Ghirlandaio é uma maravilha na sua adoração. Todos os joyceanos gostam dessa data, não tanto pelo conceito de epifania que ele inventou, mas por ser, no conto Os Mortos, o dia de uma festa onde Gabriel Conroy, um pedante jornalista , percebe que é um babaca quando comparado com um verdadeiro amado. É uma pena que tenha sido por pouco tempo, pois em Ulysses, esse mesmo sujeito ,um tucaninho pernóstico irlandês, está numa boa, pró- Inglaterra...
Aqui não se festeja , as festas acabam, é quando se desmonta o presépio, quando se desarma a árvore, quando os enfeites voltam para as suas caixas , para dentro dos armários.
De qualquer forma, penso na cidade de Natal, que tem um forte com o nome Reis Magos , penso nas belas praias de lá, penso no incenso, na mirra e no ouro. Penso na sanfona e no violão.
Tim, Joyce e Ghirlandaio. Cada um mago, cada um rei.
Há uma lenda roqueira que diz que o Led Zeppelin , quando se formou , pretendia ser um grupo acústico, meio folk, desplugado, mas o empresário Peter Grant não deixou e o jeito foi ligar os amplificadores. Os mais fãs que me desculpem, mas a verdade verdadeira é que os dois primeiros discos da banda são cópias do Jeff Beck Group e só depois do terceiro disco é que a banda passou a ser o time campeão que nós gostamos e nos lembramos. Page é um violonista de mão cheia ( mesmo nos primeiros discos, quando pode, foi show) e o John Paul Jones é um multi-intrumentista ( agora fiquei na dúvida, quanto ao hífen) e a prova disso está no clip com ele tocando um bandolim. É divino.

Quem conhece São Paulo e lê francês, sabe que a Livraria Francesa, que fica na Barão de Itapetininga é maravilhosa. São livros e mais livros, com um atendimento razoavelmente educado, afinal, é uma livraria francesa ( isso mesmo, sem efusivos tratamentos, mas sem desconhecimentos). Mesmo assim, muita gente me dizia que ela era acanhada perto da Librairie Française de Nova York, na Quinta Avenida, entre a 49 e a 50.
Bom, eu estive lá uma única vez e achei-a legal, claro, mas nada de colocar a nossa no chinelo . Os preços eram caros , os impostos o tornavam ainda mais proibitivos e nem pensar em descontinho.
Agora, leio que ela vai fechar no segundo semestre , por motivos diversos. Primeiro , os impostos . Depois , o mundo da internet. E finalmente, quem lê francês nos Estados Unidos ? E no mundo , penso eu ...
Claro, sempre é chato ver o fim de uma livraria, mas além do je suis desolé que os franceses adoram dizer, eu não acho o fim do mundo. Os mais radicais reclamam do Sarkozy , que já esteve sei lá quantas vezes em Nova York e nunca foi na livraria. Outros querem que haja um subsídio governamental, mas parece que o passa-se o ponto é definitivo.
Eu daria uma sugestão aos donos da Librairie. Eles poderiam pedir dinheiro para o BNDES , que ele bancaria , com juros camaradas. Afinal, desde a Jacqueline Mirna, brasileiro é tão bonzinho...
Teve um tempo que o pessoal das CUT e do PT eram oposição e qualquer medida que o governo tomasse um representante da Central e/ou do Partido começava a sua frase da seguinte maneira:" mais uma vez, a classe trabalhadora perde".
Considerando que a inflação foi de 6,2% e a correção do FGTS foi de 4,5%, era o caso do mais uma vez a classe trabalhadora , não é mesmo?
Sei lá, vai ver que a culpa é do neoliberalismo.
Todo começo de ano é a mesma coisa: a Dona Denise, empolgada com a rasgação de papéis de contas pagas antigas e lalelilolixo de agendas pretéritas ,quer que eu jogue fora, faça doações ou depósitos no poste de roupas, cds , livros e revistas. Isso de espaço é um problema mesmo. Leio que não há mais lugar para os tantos ministérios que o presidente criou e nem há mais dinheiro para novos aluguéis.
A solução é rebolar a bola.
www.youtube.com/watch?v=JiO1PeE5u-w
A cara da Dona Denise está mais para a loirinha no meio da rebolada da Carmen, mas no final, creio eu, ela vai me aplaudir.