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Antes de mais nada, eu não morro de amores pelo U2, pelo Bono, por este tipo de coisa e para mim, dublinense é james joyce, shaw , wilde. Mas hoje de manhã eu recebi um e-mail de um amigo me dando uma dica, um disco desses tributo chamado In the name of love: Africa celebrates U2. E a canção é executada pelo Soweto Gospel Choir e ficou tão linda...
Aí o Julinho me manda um e-mail, ele tinha passado uns dias justamente em Dublin e viu que lá os brasileiros são os turcos alemães, rara é a rua que não se fala português. Claro, o tigre celta atraiu a gente do patropi toda, fazem cursos de inglês, arrumam empreguinhos , ficam zoando, arranjam tretas com bêbados de todas as idades e assim segue a vida.
Por tudo isso, resolvi dar uma lida na coluna de estreia do colunista Bono, no New York Times e ele está comentando o seu começo de ano em Dublin, como a crise veio pegar de jeito a sua Irlanda e acabou nos consolando com as suas lembranças do tempo curto que conheceu Sinatra( eles fizeram um dueto em Under my skin , que há quem goste e há quem deteste). Bono comenta que não há sentimentalismo em Sinatra e toma como exemplo as duas versões de My way. A de 69, ele canta como quem está dando o fora , que está picando a mula e dane-se. Já a última, soa mais como um pedido de desculpas.
Por fim, Bono nos remete a uma frase de Sinatra. Ao ser perguntado o que ele achava da frase que Miles Davis disse, que Sinatra tinha sido uma grande influência, Frank disse apenas que não gostava de homens de brinco ( o próprio Bono usava um ) , mas que admirava também Miles, pois esse não tocava notas inúteis e nem perdia tempo com respostas tolas.
Bono entendeu.
Eu fico pensando, o que faz um brasileiro ir para Dublin, trabalhar de caixa do Mc Donalds ou taxista de bicicleta , achar que está aprendendo inglês, arrumando treta com arruaceiros, enquanto seus pais , de classe média alta, acham que eles estão estudando lá fora e falam com o maior orgulho?
Essa nova geração talvez pensa que estão cantando o My way em 1969 , mas nem se dão conta que deveriam estar cantando o my way mais recente.
Em todo caso, nós, que não somos nem tigres , nem puramente africanos, vivamos, pelo menos neste fim de domingo, em nome do amor.
Há um título de livro assim, "O Inútil de cada um" , que é do livro do Mário Peixoto. Um romance do cineasta que fez o filme LImite. O livro é mais ou menos ( se bem que tem uma descrição de uma casa de praia abandonada e as lembranças da mãe do narrador, coisa digna de Proust). Mário de Andrade , que nunca leu o dito cujo, idolatravfa-o, pelo título.
Lembrei dele quando vi a candidatura do Aldo Rebelo para a presidência da Câmara. Pelo tal bloquinho. Ora, se todos sabem que o bloquinho surgiu como uma possibilidade para o marido da Flora ser a alternativa da esquerda caso a Dilma naufrage ou mesmo para se mostrar independente do PT, vem o presidente do PDT, ministro do Lula e dilmeiro de primeira hora, ficar falando contra o próprio bloquinho , o tempo todo...
Mas como acreditar numa independência dessa outra esquerda frente ao PT quando na primeira balançada de cenoura , o próprio Aldo sai correndo e aceitou ser vice da derrotada Marta ?
Não tem mais jeito mesmo. Ainda não inventaram um jeito de não ser nem estrelinha, nem tucano.
Mas o Aldo é aquele comunista que diz pelo amor de Deus.
É mesmo o inútil.