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Numa entrevista em outubro do ano passado, o escritor John Updike disse que não havia na cultura americana, ou melhor, na literatura deles um valor à sabedoria adquirida com a experiência . " Hemingway e Fitzgerald ( ele não inclui Faulkner) são autores de valorização do jovem."
É coisa de se pensar.
Aí vai a entrevista, em inglês.
Li que a Alemanha resolveu fazer um museu do Porsche.
Não sei se cabe a minha memória de um racha que houve, numa tarde de domingo, na Avenida Sumaré, entre um fusca e um Opala 4100, em 72 ou 73.
Bem, a Sumaré não ia até a Henrique Schaumann, ela parava antes.
Os dois carros sairam do Palmeiras e o fusca chegou na frente.
Havia uma lanchonete na esquina da Wanderley ( uma ladeirona) e a Sumaré chamada Sunny Time ( ou Funny time, o f ou o s eram confusos).
Pois foi para lá ( e lá estava eu) que os dois pilotos se sentaram, para discutir a incrível façanha do fusca. E o fusqueiro abriu a tampa e mostrou o segredo.Dizia ele que aquele motor era de Porsche.
Uma mecânico argentino confirmou.
E , até outro dia, acreditei que era isso mesmo, mas às vezes eu acho que os dois estavam tirando sarro dos incautos.
Esses dois poderiam apostar a mesma corrida ,no Fórum Social de Belém.
E haveria um argentino que confirmaria a estória.
No domingo , um casal de amigos , bom eu vou falar o nome deles , a Du e o Isidoro, disseram que eu valorizo muito o Exile on Main Street e que os outros discos com o Mick Taylor também são muito bons. Eles tem lá suas razões. Ontem mesmo eu citei o time waits for no one, do disco It's only rock'n'roll.
E desse disco há um baladão que eu gosto muito , chamado Till the next time.
Na palavra de hoje do dicionário do Samuel Johnson, é a vez de by-coffee shop , que seria uma cafeteria num lugar meio esquisito. Uma biboca, digamos assim.
Gozado, apesar de sermos uma terra do café, não temos muito boa tradução para coffeeshop.
De qualquer forma, vejam como começa a música dos Stones.
Honey is there any place would you like to eat
I know a coffeshop down on 52 street
And I don't need no fancy food and I don't need no fancy wine
And I sure don't need the tears you cry
Till the next time we say goodbye I'll be thinki ng of you
Que eu faria assim:
"Você deixa eu escolher querida
Um lugar lá na 52 ,é caminho
é tudo muito simples, a comida
e a sua carta de vinhos
E você nem vai precisar chorar
porque ,até o nosso próximo adeus,
é em você que eu vou pensar."
Mas eu não te levaria num by-coffeeshop, honey...
O The Who tem uma musiquinha infame chamada Pictures of Lily , que trata do hábito de um adolescente se trancar no banheiro com fotos de uma pinup girl ,a Lily, e fazer o seu mundo ficar maravilhoso.
Por muito tempo o sexo solitário , digamos assim, foi considerado prejudicial às ideias. Mas nunca se provou nada a este respeito.
Já as sexólogas recomendam a prática para as mulheres. Dizem que é bom, assim elas conhecem seu corpo.
Depois que fiz cinquenta anos , passei a ler , atentamente ,a British Journal of Urology. No exemplar mais recente, eles dizem que a masturbação, para homens de mais de 50 anos, é um santo remédio para o combate ao câncer de próstata .
Acho que esses médicos andam muito influenciados pelo filme Benjamin Button. Para eles , você aos sessenta se tranca no banheiro com uma playboy , deve evitar o sexo entre os 20 aos 40 (vide número anterior) , talvez fazer um filho aos quinze.
E assim , chegar aos seis meses de idade com fralda e sem ereção.
Mas com próstata.

Houve um tempo, na ditadura, que se cantou o verde-e-amarelo e os fatos da nossa história. Um cabra chamado Zé Di inundou-nos com um refrão :" Valeu o sacrifício dos Andradas e as preces de Leopoldina"
Pois José Bonifácio, um dos Andradas, foi chamado de o Patriarca da Independência. Daí a praça do Patriarca. Que praça linda. meu Deus, isso nos anos sessenta , setenta.
O luxuoso Othon Hotel, a Exposição com moda masculina, a Sloper e a São Nicolau, a casa Fretin na esquininha, com produtos de tocador , pincéis de barba e aparelhos médicos e ópticos. Numa quase outra esquina, a casa Califórnia com patês e sanduiches, além da charmosa igrejinha de Santo Antônio , repleta todos os meses, principalmente em junho, por moças e rapazes encalhados.
Era a praça passagem obrigatória para quem ia comprar material estudantil do MEC. Os atlas, os cadernos, as tábuas de logaritmos , os lápis, as borrachas, com preço bem mais em conta.
E no centro da praça, claro, o seu dono. A estátua de Bonifácio, o enciclopedista brasileiro, o homem a quem Pedro I quis deixar a educação do seu filho, o constituinte, o engenheiro, o visionário,o gênio.
Mas aí vem um arquiteto, o senhor Paulo Mendes da Rocha.
E taca um monstrengo branco e curvo, a atravancar a praça.
E a estátua vai para um canto, quase se retirando do local