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No Metropolitan Museum , em Nova York, há vários quadros do pintor afro-americano Horace Pippin . Mas o mais conhecido é este, Lady of the lake. Pippin era auto-didata e foi destaque nos anos trinta, mas sempre criticado por sua falta de escala , como se dizia naquela época.
Os críticos se perguntavam como era possível um pintor fazer uma mulher daquele tamanho.
Isso faz setenta anos.
Mas na década de sessenta também não se admitia um afro-americano presidente , não é mesmo?
Uma abertura no xadrez mais comum é a Ruy Lopez. As brancas movem o peão do rei duas casas , as pretas fazem o mesmo movimento.
Sarney e Temer, é , em termos de sucessão em 2010, a jogada previsível.Tanto um quanto outro podem apoiar a Dilma,ou o Serra ,ou mesmo o Aécio.
Aguardemos o cavalo branco do rei, na casa do bispo.

No sábado eu sai de carro com a Dona Denise e coloquei no som a trilha sonora do filme The Dead , do John Huston . E a Dê falou que a música do Alex North, sem dúvida nenhuma linda, era tão característica de um conjunto de imagens cinematográficas que ela teve vontade de rever o filme. O último do diretor, por sinal.
Huston, americano, amava a Irlanda . O Julinho teve agora lá e eu , que sempre quis conhecer Dublin, fiquei meio decepcionado pelo que ele me contou. Os irlandeses não são mais joyceanos, advertiu-me. Se é que algum dia foram, consolo-me.
Quando eu li , pela primeira vez o Retrato do Artista quando jovem, numa tradução boa do José Geraldo Vieira ( um romancista que todos da sua geração esperavam dele algo mais que Proust, vejam só), tinha eu uns quinze anos . Quando acabei o livro, tive a seguinte inquietação: "como ele conhece tanto da minha vida ?" Afinal, eu tinha passado meus dias de infância em escola católica, num rigor das irmãs vicentinas , tão falsas como os jesuitas dublinenses...
Mas depois, ao reler o livro no original, com vinte e tantos anos, pude perceber a ironia, mais até, a compaixão que o autor descrevia um artista. Mas , como Joyce sempre salientou, "quando jovem".Não importa onde você abra o livro, sempre Dedalus está se procurando. E isso é que faz parte da juventude de qualquer artista.
No Retrato, sua tia Dante ( seria tão mais simples batizá-la de Beatriz, mas a musa joyciana será sempre a Irlanda enquanto mulher, aquela que lavará seus cabelos no rio Liffey, que terá o vermelho menstrual se misturando com o verde do campo e da garrafa de whisky) tinha em seu toucador duas escovas , uma com veludo vermelho , outra com veludo verde. Na canção infantil, " os botões de rosa silvestre/num campinho verde" e a dúvida do menino, haveria rosa verde em algum lugar ?
Yeats, num famoso discurso, disse que Joyce tinha uma mente heróica. Sim, ele pensará em uma Odisséia , num novo Genesis. Ele será arogante como Aquiles, ardiloso como Ulisses, nojento como a ferida de Filoctetes, confuso como Agamenon. Louco como a filha. Cego como Homero.Inútil como Nestor.
Para o aniversariante de hoje ( Joyce nasceu num dois de fevereiro), a minha saudação. Pois tomarei uma dose de Jameson em sua homenagem. Dizia Nora, sua abnegada esposa, que James falava e lia tantas linguas, mas só usava tres palavras inglesas: de manhã,JORNAL, de tarde COMIDA , de noite WHISKY .
Sou feliz por ter educado o Julio com o gosto da literatura. Ele me ligou outro dia e disse que havia lido um conto do Dublinenses e tinha se lembrado de mim. O conto se chamava nuvenzinha . Trata da dificuldade de uma pessoa com algum talento literário, enfrentar as agruras do dia a dia. O conto é rather sad , como dizia o John Lennon. Sim, um tiquinho triste.
Mas ninguém deve se entristecer numa festa de aniversário.
Claro, lá na Irlanda, meu filho bebeu uma dose de Irish whiskey e deve ter se lembrado de Joyce e de mim . E falou em português ,lingua de um país com as cores verde e vermelha, saúde!
Isso mesmo, brindemos. E assim seremos sempre artistas, mesmo quando não formos mais tão jovens assim.

Muita gente acha que este blog é pró Davos e anti Belém.
Não, não, não . Na na ni na não!
Vejam esse grupo que defende as florestas. Ele se chama Fuck for forest e diz com todas as letras o que eu venho defendendo faz muito tempo. "Só o sexo pode salvar a floresta".
Por favor, parem de prestar atenção no Al Gore , nos cientistas, nos bio isso ou aquilos.
Como já dizia o Marvin Gaye, let's get it on!
A flora e a fauna agradecem!
Claro, eu ainda não sei quem ganhou a eleição no senado, mas que surra o Sarney deu no Tiãozinho... Pelo menos no discurso. O doutor Viana fez um discurso frio, sem nenhuma retórica, sem brilho e ainda com a descortesia se chamar o adversário de velho. Ah, sim, um discurso lido.
Já Sarney lembrou que apenas Ruy e ele tinham tido cinco mandatos consecutivos na Casa e acabou seu discurso, declamado, com a seguinte frase: "velho, sim, mas devo dizer que o meu espírito, o espírito público ,este não envelhece".

Vocês podem dizer que são palavras, palavras , palavras.
Mas um senador que nem sabe discursar , pobre de nós...