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Pelo que estão dizendo, The Reader é o filme da Kate Winslet. Vou conferir.
"Quando eu considero a brevidade da minha vida, engolida pela eternidade antes e depois, o pequeno espaço que preencho e que sou capaz de enxergar, tragado na imensidão infinita de espaços sobre os quais sou ignorante , e que não me conhecem,fico assustado e atônito por não estar lá e por estar aqui...
O silêncio eterno desses espaços infinitos me assusta."
Esses pensamentos do Pascal nunca me saem da cabeça
Uma mulher morrer é triste. Uma musa , lamentável. Mas Blossom Dearie, essa deusa , isso é absurdamente insuportável.
Pois ela morreu no seu apartamento do Greenwich. Nascida na mágica data de 29 de abril ( pois todos os dias de abril são mágicos) , tinha ela 82 anos. Ora direis, oitenta e dois é muita idade. Mas não, Blossom era para mim e para uns fiéis devotos, uma deusa imortal.
Pianista maravilhosa, cantora de voz pequena mas adorável em afinação, com um repertório escolhido entre as mais lindas canções dos compositores americanos ( Porter, Gershwin, Cy Coleman, sim, o maior compositor americano, entre outros) , foi no pós guerra para uma Paris dos sonhos e como ela era onírica, lá ficou, fazendo o seu misto de jazz e cabaré, vertendo canções para o francês ( e fazendo -nos sonhar acordados , ou dormindo com os anjos) e dando um show de requinte que nenhum lugar europeu a merecia por mais de um mês, tamanho era o seu sucesso.
No final dos anos cinquenta, Blossom foi "descoberta" por Norman Granz que com a sua gravadora Verve , lançou seis discos memoráveis.Coisa de tirar o fôlego ( inclusive um songbook da dupla Comden&Green). Foi depois para a Capitol, mas lá a gravadora já começava a se deslocar, não era mais o selo de Nat King Cole e sim dos Beatles.
E aos poucos, os gritos começaram a vencer as vozes. E ninguém mais quis saber de música e sim , curtir um som.
Blossom voltou para a França e para a Inglaterra. Seu tipo de música, piano, baixo acústico e bateria, passou a ser evitado. Era bom demais. Ela lançou uma gravadora que lançava seus discos nos própeios shows. Alguns discos eram dados de presente para quem consumia mais de cinco chopes...
O lançamento do cd foi uma coisa boa, pois a Verve lançou todos seus discos. E eu gastei fortunas comprando-os, inclusive importando-os do Japão. Mas não me arrependo de cada centavo que nela investi. Nunca me senti tão prazeroso num final de tarde, tomando meu whiskinho ao som dessa maravilhosa singer, ou melhor, chanteuse.
Muitos cometeram a infeliz tendência de compará-la a Chet Baker. Não, não, de jeito algum. Chet era um derrotado , que escolhia as canções de Sinatra para mostrar outro lado da América. Dearie era sutil, delicada,compreensiva, mas vitoriosa, como toda mulher.
Eu sempre achei que iria ver um show dela em Paris, ou mesmo em Nova York, porque aqui no Brasil , eu não tinha a mínima esperança.
Verei um show dela no céu, então.
Os franceses quando não encontram solução, dizem que estão desolés.
Pois o blog assim se sente e manda um clip dela, cantando de Rodgers & Hammerstein, uma canção do Oklahoma.
www.youtube.com/watch?v=DoZd4GKzOdQ
Penso em Sarah, no livro do Graham Greene O Fim de Caso, que pegou uma chuva danada ( e ficou com pneumonia) mas não disse para seu amor o porquê da sua decisão de não voltarem a se amar. Penso no filme Bonequinha de luxo, quando Audrey Hepburn se molha para salvar um gato.
Penso na letra da música do Jorge Benjor e do Toquinho, que maravilha, a girar.
Penso num show dos Rolling Stones que eu me molhei muito.
Penso no prazer de moleques jogando bola , encharcados. Ou então, andando de bicicleta ,rindo.
Mas talvez as chuvas estejam tão violentas , que eu peço para não chover.
Na sexta feira passada eu falei de um ano comemorativo para o Sameul Johnson, o maior crítico,, dicionarista e homem de letras inglês. E no post sobre este assunto, coloquei a bela Juliana Paes em trajes menores. Pois o coordenador dos eventos , Nick Lombard, mandou seus agradecimentos. Mas eu fiquei pensando, como um inglês sério como ele deve ter entendido a presença da moça naquele post...
Bem,na palavra de hoje do dicionário temos o verbo to coax , que significa seduzir, convencer , xavecar.
Segundo Doctor Johnson é uma palavra baixa, quase chula, que devemos evitar.
Então, nada de querer coax a Juliana.