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Nos anos vinte do século passado, se alguém perguntasse quem era o maior escritor inglês , a resposta seria uma só. Hugh Walpole. E olha quem estava na lista dos que achavam Walpole genial: Henry James, Virginia Woolf e Joseph Conrad. Pois ele ainda , na década de trinta, virou Sir e continuou famoso até 1941, quando morreu.
Hoje, quem conhece esse cara ?
Vou mais longe. Acho que até o Hugh Grant é mais conhecido que o seu xará.
Saiu o primeiro volume das cartas de samuel Beckett , elas vão de 1929 até 1940. Beckett passava todas as manhãs escrevendo cartas, e chegou ao absurdo número de 15000 . No primeiro volume, com mais de oitocentas páginas, temos duas mil e quinhentas.
Pelo que dá para avaliar, suas cartas são importantes porque ele se censurava menos, ou ainda, quase nada, principalmente nas suas opiniões sobre outros autores. Surpreende quando ataca Prosut , por exemplo, a quem chama de artificial, ou mesmo Balzac, que merec e o título de piegas.
O interessante é que se ele defendia o silêncio nas peças ( e mesmo na vida ) isso não se dá na sua correspondência.
E por falar em literatura inglesa, vejo que o escritor Graham Swift lançou um novo livro, Making an elephant, com textos curtos, auto-biográficos, de raro lirismo.
Swift é um caso interessante . Numa Granta, a renomada revista inglesa de literatura, lá pelo comecinho dos anos oitenta, pude ler que os escritores do futuro , no quesito romance , seriam Ian McEwan , Salman Rushdie, Julian Barnes, William Boyd , Martin Amis e Graham Swift. Pois todos se deram bem, em termos de fama. Menos Swift, que apesar do belo Terra d'água ( que virou até filme com Jeremy Irons) e o muito bom Last Orders ( que ganhou um Booker) continua meio que desconhecido.
Neste livro novo ele conta sua ida , aos vinte e cinco anos, para a Grécia. Ele queria ser um escritor , desses que moram em paises diferentes . E por isso foi prá lá. E conclui: mas foi tudo tão errado...
Como se faz uma carreira literária? Não digo obra. Digo carreira.Acho que é com agentes e multimidia e publicidade.
Ou então, o escritor vira um Swift.
A National Literacy Trust, um entidade inglesa que cuida de vários aspectos referentes à literatura, fez uma pesquisa e descobriu que dois terços dos ingleses mentem e dizem que gostam de ler. Até aí, tudo bem. Os cinco livros mais citados pelos mentirosos , temos 1984,Guerra e Paz, Ulisses, a Biblia e Madame Bovary.
Agora o que mais me chocou foi o motivo que a entidade supôs: mentem para conseguir parceiros sexuais.
Só se for na Inglaterra. Pois aqui, se leitura fosse critério, seríamos a maior população de virgens do mundo.
Acabei de ler A Cerejeira do Tchecov na versão do meu ídolo Tom Stoppard.A peça teve uma pré-estreia em janeiro em Nova York e deve estrear prá valer em Londres , em maio deste ano. Um dos atores foi o Ethan Hawke ( que fez o rapaz do Antes do Por do Sol e antes do amanhecer).
Stoppard cortou algum palavrório e a fez mais ágil. Mais irônica, mais leve.
O livro me foi trazido pelo Julinho., A Dona Denise me perguntou se eu não ligava pelo fato de ser uma obra que ninguém leria, que nem tinha sido montada ainda comercialmente e só seria (esqueci de dizer, o diretor é o badalado Sam Mendes , o cineasta do Beleza Americana e agora o Muito mais que um sonho) vista por poucos, e , certamente, nunca por mim.
Disse-lhe que já estava acostumado.
Mas ela me conhece mais que eu possa negar que seria legal ter alguém que também ficasse chateado com os barulhos do machado cortando a árvore , no meu dia -a -dia..