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Blow é um verbo que serve para muita coisa. No dicionário, a primeira palavra é soprar. Mas serve,também, para você explodir, de raixa,por exemplo . Serve para assoar o nariz, como eu estou fazendo agora. Na canção dos Stones, a mulher blows o nariz do Jagger e depois blows sua cuca.
Outro dia a maravilhosa Penélope Cruz disse que deu uma mancada daquelas . Ela estava num cabelereiro americano e queria que seu belo cabelo fosse seco . Então ela pediu para o rapaz que queria , ao invés de um blow dry ( uma secada ) , um blow job, que é sexo oral. O rapaz , riu, e disse que também queria, mas cadê o homem ?
Bom, a menina da Vivo pegou o meu celular ( cada vez eles ficam menores ) , tirou o meu chip prá fora, and she blows.
Nossa, foi ótimo, liguei depois para a Dona Denise .
E ela , calma, sentiu o meu astral. Mas logo em seguida, desconfiada, quis saber porque eu estava assim, tão feliz...
"Nada, nada não ".
O melhor será contar para ela, de noite, tintim por tintim,.
Que ,em inglês. é blow by blow.
Eu não gosto de música sertaneja e country também não é a minha praia. Claro, se for um Johnny Cash , um Hank Williams. um Tonico e Tinoco, aí fica diferente. Mas eu não sei porque , hoje, dei uma olhada na internet e descobri que houve, na década de cinquenta do século passado , um cantor da Flórida, mas que viveu quase toda a sua vida no Alabama. chamado Hank Locklin. Eu nunca tinha ouvido falar do cara, vai ver que ele é um ícone, mas de qualquer forma, nada de novo. Ele aparece numa foto com aquele chapéu de cowboy e sua face risonha é comum.
Mas o seu maior sucesso foi Send me your pillow you dream on.
Meu Deus, que título. Eu nem sei se sei traduzir. Mande-me o travessseiro que você sonha. Ou onde você sonha. Ou ainda, onde você encosta a sua cabeça para sonhar.
Já é o meu cantor country preferido e eu nunca ouvi a sua voz!
Acabei de ler A Cerejeira do Tchecov na versão do meu ídolo Tom Stoppard.A peça teve uma pré-estreia em janeiro em Nova York e deve estrear prá valer em Londres , em maio deste ano. Um dos atores foi o Ethan Hawke ( que fez o rapaz do Antes do Por do Sol e antes do amanhecer).
Stoppard cortou algum palavrório e a fez mais ágil. Mais irônica, mais leve.
O livro me foi trazido pelo Julinho., A Dona Denise me perguntou se eu não ligava pelo fato de ser uma obra que ninguém leria, que nem tinha sido montada ainda comercialmente e só seria (esqueci de dizer, o diretor é o badalado Sam Mendes , o cineasta do Beleza Americana e agora o Muito mais que um sonho) vista por poucos, e , certamente, nunca por mim.
Disse-lhe que já estava acostumado.
Mas ela me conhece mais que eu possa negar que seria legal ter alguém que também ficasse chateado com os barulhos do machado cortando a árvore , no meu dia -a -dia..
A expressão carpe diem, tirada de um poema de Horácio, ficou na moda, por conta do filme Sociedade dos Poetas Mortos . Ela significa "colha o dia", antes que ele fique maduro. Isso é, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje.
Horácio, na sua ode 3 retoma esse tema, " non tamen irritum quodcumque retro est" ( não se perde o que passou,nem se desfaz).
Dryden, o excepcional tradutor, fez um poema à la Horácio:
not heaven itself upon past his power/ but what has been,has been,I have had my hour ( nem os céus tem no passado força que vigora/ o que já era, já era, e eu tive a minha hora)
É nisso que penso quando acaba um mês.
Mas será que colhi o meu dia ?
Carnaval
Sol
Esta água é um deserto
O mundo, uma fantasia
O mar, de olhos abertos,
engolindo-se azul
Qual é o real da poesia ?
Carnival
Sun
This water is a desert
The world, a fantasy
The sea, with eyes opened
blueswallowing
Which is the real of poetry?
De Francisco Alvim, a tradução é minha.