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Eu não sei se dia 13 , numa sexta , dá tanto azar assim. Se eu admitir que sim, apanho lá em casa, pois foi numa sexta feira treze que houve o nosso bloomsday, digamos assim.
Antigamente eu sabia tudo sobre o governo Jango , mas ando meio esquecido. Sei que foi num dia 13 de março, mas acho que não era sexta. Foi quando se deu o famoso Comício da Central, no Rio. O presidente Jango não teve segurança da PM carioca, pois o governador Lacerda não autorizou. A solução foi colocar homens da Polícia do Exército.
Quem me contou isso foi o Darcy Ribeiro. E disse mais para mim. Ele tinha levado uma semana preparando um discurso, mas o Jango, na empolgação , jogou longe as quase dez páginas e atacou de improviso. A galera foi à loucura. Mas , isso eu não quis falar para o professor Darcy, um mês depois aplaudia, bestializada, o golpe militar.
E aí , eu perguntei-lhe, o discurso do Jango era mais radical que o seu ?
" O discurso do Jango era suave. Aliás, as medidas dele também. Pegar umas terrinhas fronteiriças às ferrovias e rodovias e dar para a reforma agrária, isso era um nadinha"
E as refinarias , insisti. Isso de nacionalizá-las. "Olha, até os milicos apoiavam isso..."
Fiquei quieto e ele também, o que foi um milagre ( tanto para mim, quanto para ele). Mas senti que cabia mais uma pergunta:
"Te magoou ele jogar fora o teu discurso?" Eu, que já fui ghost writer , sei o que é este tipo de vaidade.
"Claro que sim. Eu tinha até citado o Manoel Bonfim..."
E deu uma risada gostosa.
Quando eu era pequeno, foi implantada uma coisa chamada matemática moderna. As professoras se dividiam. As mais velhas achavam que era só para confundir os alunos. As mais moderninhas gostaram. E eu, para ser bem sincero, nem sei o que é isso.
Mas uma das coisas que a gente aprendia era a teoria dos conjuntos. Era o máximo, havia o conjunto dos naturais, dos inteiros, dos racionais, dos reais, e cada conjunto ia engolindo outro, fazendo o anterior ser um subconjunto. E havia as reticências que significam que a sequência de números não parava , o sinal de parentesis, de colchete, de chaves e aí do aluno que abrisse um e não fechasse. E o conjunto vazio , que poderia ser escrito com um o cortado , que nem jontex , ou na aridez de um nada entre a chave que abre e a chave que fecha...
Mas depois veio a revolução cubana e assim, tudo ficou político. E dentro do conjunto político, havia dois subconjuntos, os pró e os contra.
Ontem o vice-ministro da Justiça cubano , o doutor Miguel Perez , deu uma aula de matemática moderna. Quando perguntado sobre os presos políticos na ilha, respondeu que o conjunto de presos políticos em Cuba era vazio. O que havia era presos contrarrevolucionários...
Então, se uma vez eu passar uma noite com a Taís Araujo, e a Dona Denise nos pegar, e se ela perguntar o que está fazendo aquela mulher comigo, eu vou responder à cubana: não existe mulher nenhuma comigo, só existe uma afro-brasileira.
E como ela também pegou a reforma da matemática moderna e foi admiradora da revolução cubana, vou ficar devendo essa para o vice ministro.
Outro dia eu conversava com uma amiga e ela me lembrou que tinha namorado um sujeito péssimo, um idiota completo. E quando eu perguntei-lhe como ela tinha conseguido isso, ela apenas respondeu: e você ? Nunca se arrependeu de nada ? Nem quando você era trotsquista ?
Puxa, teve isso na minha vida...
Mas de qualquer forma. o que mais me chateava era a cambada de trostsquistas que tinham virado sei lá o que depois...
Mas eu não preciso me incomodar com um sujeito que todos dizem que era trotsky desde criancinha , de colocar o nome do filho de Leon e tudo.
Li numa entrevista no Le Figaro, que o assessor Marco Aurélio Garcia, de viva voz, declarou que nunca foi admirador do namorado da Frida Kahlo.
"Até o presidente Lula acha que sou , mas nunca fui trotsquista. Só porque o nome do meu filho é Leon... É que achei o nome bonito, só isso"
As chances do Lula saber quem foi o inimigo do Stalin são iguais a ele saber que é Leon Russell.
E assim, we are lost in this masquarade...
Sem querer comparar, mas já comparando, uma esquerdista que se converte ao modelito , ao botox , à plástica, ao seu cotê feminino...
Prefiro a Cyd Charisse no musical Meias de Seda, com aquelas pernas e a mu´sica do Cole Porter.
Leio que um juiz quer penhorar a casa do Zé Dirceu, em Vinhedo. Por conta de uma dívida. Essa casa é mesmo zicada. Em 2005, foi arrombada e os ladrões levaram, segundo o BO, uma tv, whiskies e guloseimas finas.
A dívida é um rolo que aconteceu em 1987. Naquela época havia tanta inflação que todos , quando tinham algum dinheiro, corriam para o supermercado e faziam estoques de mantimentos. A Dona Denise , que já naquela época mandava em mim, me dava uma lista e lá ia eu pilotando carrinhos de supermercado, com muita rapidez, para evitar as famosas remarcações relâmpago.
E um dos itens que ela escrevia era guloseimas.
Bem, na verdade, ela queria que eu comprasse cheetos, ruffles, doritos.
Era este tipo de guloseima fina que nós, A Dê, eu e o Zé, que éramos de esquerda, comiamos.
Como ele ficou gente fina , ai deve ter sido outra coisa. Porque eu, nos dias de hoje, só experimento, em termos de finesse guloseimica , um pacote de bon gouter...
De ervas finas, bien sur.